Segurança!?


Como demonstra a sequência de imagens, e na minha humilde opinião, nem tenho palavras para descrever o que estarão esses "pescadores" a fazer nesse local, pescar? Não me parece...


Em primeiro lugar, o estado do mar não está propicio para a pesca de bóia, digam o que disserem, não estão reunidas as condições mínimas de segurança. Até poderiam estar lá a sair sargos com dentes de ouro que aquilo não é local para ninguém se colocar, principalmente com a potencia destruidora daquelas vagas.


O mínimo descuido é fatal em condições destas, sem grandes condições de fuga (devido à característica do substrato) ou abrigo a uma vaga maior e não creio que seja de arriscar pescar no local para capturar seja ele qual for o peixe, a sua dimensão e quantidade.


Aquelas vagas que se vem ao fundo terão aproximadamente entre os 3.5 a 4.5 metros, sobre uma profundidade constante de 12 a 15 metros, ao embatem na falésia provocam esta elevação brutal de massa de água, de salientar que aquele pescador que se encontra sentado (no canto superior esquerdo), está sensivelmente a uns 15 metros do nível do mar, a estes teremos de somar mais uns 10 metros acima da zona media de falésia no local, o que dará aproximadamente 25 metros desde o nível do mar até ao máximo da expansão da água após o embate, em altura, por vezes essa expansão estende-se à mesma distancia mas em comprimento desde o topo da falésia para o interior.


Existem particularidades na falésia observáveis na primeira foto (em frente ao pescador de branco) e na segunda foto (perto do canto inferior esquerdo) que se nota uma afluência de água sobre a rocha, motivado pela erosão e túneis na falésia, onde a agua se eleva até ao topo, após ter embatido na base da falésia (chamados de sumidouros ou supradouros) .





























Esta sequência pertence à mesma vaga da primeira, embora tenha sido registada em modo automático da esquerda para a direita, a vaga é a mesma. Isto reforça o poder destruidor em termos de amplitude da massa de água no local, um varrimento muito violento.

Gosto bastante deste mar, mas não para pescar, para vê-lo a "galgar" a pedra, rebentar como que se dinamite se tratasse e acalmar-se sobre o topo da falésia no escorrimento sobre as rochas, onde uma vez mais voltará a cumprir esse ciclo, a Natureza é bela e destruidora.

Por ultimo, deixo apenas uma palavra aqueles que desaviam condições extremamente adversas como as demonstradas nas fotos:

- Valerá a pena arriscar a vida por peixe(s);
- Pensem na vossa família e amigos;
- Há mais marés do que marinheiros;
- Se não existem condições mínimas de segurança porque potencializar o risco;
- Será que são as condições indicadas para a pratica da modalidade;
- Os acidentes mortais que já ocorreram no local não são dissuasores;

Pesquem, em segurança!


Agradecimento ao Paulo Cabrita pela cedência das fotos.

15 comentários:

Anónimo disse...

Senhor Sargus,
Isto não é para publicar, mas faça-me o favor de corrigir o lapso de "À mais marés que marinheiros".

De facto "à noite todos os gatos são pardos", mas há madrugadas e há rouxinóis que nunca cantam à noite, a não ser quando há luar.
Há pouca vergonha na classe política porque eles comem à mesa do orçamento e gastam à tripa forra quando há dinheiro no cofre público.
Há peixes e há gente que à mesa nunca se encontram vivos porque à hora da refeição estão todos mortos e asfixiados à espera de ser enterrados.
Há touradas e há esperas em que as pessoas audazes ficam feridas quando se abandonam à fúria dos touros bravos.

Eu sei que escrevemos à pressa e vai daí cai o "H" grande e o "h" pequeno, quando o verbo haver tem lugar nesse terreno, e
fica assim o "a" abandonado e só a querer dizer um lugar, um modo, ou um condição ou circunstancialismo, desta feita desterrado...
Bom, só rima, mas eu queria fazer um verso.Isto não passa de uma brincadeira, mas nisto dos blogues convém ter cuidado.
Uma amiga que o estima.
Josefa Maria

Pedro Galante disse...

Fernando, é estar a bater no ceguinho. Eles se lá andam, é porque gostam... Não venham depois com tretas que foi inesperado...
Bom post, mas aprecio mais a grandiosidade da Natureza!

Abraço

Toño disse...

Peixe e é tolo

salU2 :)

Rodrigo Zacarias disse...

Boas,

Muito bom artigo. Parabéns...nunca é tarde lembrar de certas normas de segurança.

Um abraço

Pedro Nunes disse...

Pois é Sargus! É a pala de pescadores sem consciencia que de vez enquando la fica um, e com esse erro pagamos todos nós com proibiçoes e teorias que as vezes nem tem razao de ser...enfim...
Saude

António Matos disse...

Para tomar banho ficava em casa na banheira sempre corria menos riscos.
Se pensarem nas pessoas que deixam por actos irreflectidos :(
abraço

Sargus disse...

Cara Josefa Maria, desde já o meu agradecimento pela chamada de atenção, mas é daquelas coisas que por vezes escapa.

Reitero o agradecimento.

Sargus disse...

Viva Pedro Galante.

Estas questões de norte a sul são complicadas, ainda na semana passada ouvi um relato de terem sido varridos alguns "pescadores" de cima de um pontão/esporão, por isso não é só em falésias que os riscos acontecem, e deves saber melhor do que eu, o que me refiro.

"Eles se lá andam, é porque gostam..."

Eu também faço em 90% das vezes que vou à pesca do sargo, algumas jornadas arriscadas, mas com risco controlado, quedas todos poderemos ter, agora as minhas passagens a nado para cima de pedras, faço-as controladas, fisicamente estou bem e nem é assim tão perigoso e radical, uma vez que, uma jornada ilhada para ter sucesso terá de ser com um mar com conta, peso e medida dentro dos parâmetros do aceitável 1 a 2 metros, até aos 3 metros pesco em falésia mas o mar não chega lá (à bóia de pião), etc.

Acidentes inesperados não acontecem, e só acontecem porque o mar com condições daquelas tem um comportamento errático e lá está inesperado, tive uma experiencia há uns anos largos, onde esperei 3 horas para que a maré baixasse para ir para um spot, nesse tempo de espera nenhuma onda lá foi, nem um salpico, passei, passados uns 20 minutos de lá estar, veio uma que varreu aquilo tudo, não fugi, não tinha tempo, reuni o material, coloquei-o debaixo de mim, escudei-me numa saliência deitado sobre o mesmo (tive tempo para isso pela observação da vaga ao largo, muito importante), apenas perdi algumas sardinhas, depois da vaga passar, saí de lá, inconsciências que não levam a nada.

Compartilho a tua opinião, gosto bastante daquele mar, mas não para pescar, para vê-lo a galgar a pedra, rebentar como que se dinamite se tratasse e acalmar-se sobre o topo daquela falésia no escorrimento sobre as rochas, onde uma vez mais voltará a cumprir esse ciclo, a Natureza é bela e destruidora.

Abraço e obrigado pelo comentário.

Kaywox disse...

Olá Fernando.
sei que é muito complicado...mas assim como os barcos ficam proibidos de sair em determinados dias....muitos pesqueiros tambem deveriam ser proibidos em determinados dias...será que é muito complicado aplicar estas leis...creio que não...mas num pais do deixa andar...eles estão-se bem a lixar para um ou outro pescador que seja maluco.


Sargus disse...

Hola Toño.

La pesca nestes locales es muy radical...

:)

Cordial saludo

Sargus disse...

Boas Roger.

...nunca é tarde lembrar de certas normas de segurança, embora por vezes sejam faladas apenas quando existe algum acidente fatal...

Obrigado pelo comentário

Um abraço

Sargus disse...

Viva Pedro.

È verdade, mas infelizmente quando acontecem acidentes com situações deste tipo e piores, são mesmo de lamentar pela fatalidade.

Já dizia o outro:

Onde está o Homem está o perigo!

Abraço.

Sargus disse...

Viva António Matos.

Obrigado pelo comentário.

"Para tomar banho ficava em casa na banheira sempre corria menos riscos."

;)

Eu pessoalmente cada vez que vou à pesca tomo banho, mas é mais um banho consciente do que outra coisa...

;)

Abraço.

Sargus disse...

Viva Zé

Já aplicaram a questão da restrição à pesca do sargo no PNSACV, coincidente com o periodo de defeso, coincidente com a "febre" da afluencia a este e outros locais, já é uma boa medida (unica) que vejo com a restrição.

Na frota pesqueira tal medida só acontece quando existe previsões de mau tempo com alertas, e mesmo assim a malta faz "proa à vaga", como diz o nosso amigo Mário Baptista.

As coisas estão bem como estão, é pena que continuem a se ver situações destas e que esperamos não seja uma renovação do que tem acontecido todos os anos (acidentes fatais).

por exemplo quando comparados com a pesca nocturna não existe margem para associar o risco nocturno com o diurno, ganhando o diurno com uma maior taxa de acidentes.

Cumprimentos e vamos pescando em segurança.

Toño disse...

Creo que mi comentario fue poco acertado. Pido disculpas.

Un saludo