Farol do Cabo Sardão

(Fernando Encarnação)

O farol do Cabo Sardão fazia já parte das propostas incluídas no projecto de Pereira da Silva, datado de 1866, dividindo este cabo em duas partes iguaes a distancia que vai do Cabo de Sines ao Cabo de São Vicente (54 milhas), muito convem estabelecer ali um farol de 3ª ordem, que é suficiente para esclarecer esta parte da costa.

Tomando em consideração esta necessidade, o Plano Geral de Alumiamento e Balizagem aprovado em 1883, propunha a instalação, no Cabo Sardão de um farol de 2ª ordem, de luz distribuída em grupos de 2 clarões, sendo um branco e outro vermelho.

A Comissão de Faróis e Balizas orçamentara o projecto em 26.000$00, correspondendo 11.000$00 ao aparelho e lanterna e 15.000$00 ao edifício.

O farol, contudo não chegaria a ser edificado a não ser depois da entrada em funcionamento da Comissão nomeada em 1902 que se pronunciou sobre ele da seguinte forma: Cabo Sardão – quer seja ou não transformado o farol do Cabo de Sines, que o Plano Geral indica como um dos indigitados para ser transformado, a comissão propõe para o Cabo Sardão, um aparelho de 3ª ordem, modelo pequeno, mostrando clarões brancos equidistantes de 10 em 10 segundos.


Preço vinte e cinco mil e duzentos e cincoenta francos. Acta nº 4 de 07/07/1903.

A memória descritiva e justificativa para a edificação do farol, acabaria por só ser elaborada em 1912, sendo o orçamento de 29.000,00 reis.

Assim, reza o Aviso aos Navegantes n.º 2, de 07/03/1915.

A partir de 15 de Abril do corrente, começará a funcionar a luz do farol, situado na Ponta do Cavaleiro ou Cabo Sardão. O aparelho iluminante, que é de 3ª ordem, modelo grande, está montado sobre uma tôrre quadrada, de cantaria e azulejo branco, com 8,90 m d’altura, a qual fica situada a meio das habitações dos faroleiros.

A luz é branca, de grupos de 3 clarões de 15 em 15 segundos, com um alcance luminoso de 29 milhas, sendo a fonte luminosa a incandescência pelo vapor de petróleo. A rotação da óptica era produzida pela máquina de relojoaria. A torre do farol tem 17 metros de altura e 68 metros de altitude.

Em 1950, o farol foi electrificado com montagem de grupos electrogéneos. A fonte luminosa passou a ser uma lâmpada de 3000 watts.

Até aos anos cinquenta, o serviço de entrega e recepção de correio do farol era feito por uma estafeta, cujo vencimento era de 200$00 mensais, destinado a retribuir «16 viagens por mês, a pé, de mais de 20 quilómetros cada, e por péssimo caminho, parte dele quase intransitável no inverno», viria pouco mais tarde a ser aumentada para 300$00.

O farol foi ligado à rede eléctrica de distribuição pública em 1984. A potência da fonte luminosa foi reduzida, sendo instalada uma lâmpada de 1000 watts.

Nos anos oitenta, o farol foi automatizado, estando agora dotado de redundâncias de todos os seus sistemas, garantindo uma total disponibilidade para os navegantes. Em 1999 foram feitas grandes obras de remodelação em todos os edifícios.

Local:

Cabo Sardão

Altura: 17 m
Altitude: 68 m
Luz: Fl (3) W 15 s
Alcance: 23 M
Óptica: 3ª Ordem - 500 mm
Ano: 1915

Fonte: Revista da Armada

3 comentários:

Anónimo disse...

E sempre interessante estas notas historicas, obrigado fernando por este pedaço de cultura

António Paiva disse...

Boas:

Amigo Fernando sabes que o edíficio está ao contrário-frente terra e não mar-pergunta ao prof. Quaresma que ele sabe explicar.
Um abraço alentejano

António Paiva

P.S.Cuidado com o Português,que já és quase.......

Sargus disse...

Viva caro anónimo e amigo António Paiva pelos comentários.

Sim o edifício esta ao contrário do que é usual, a porta de entrada é virada à estrada de alcatrão e não na parte traseira onde foi tirada a fotografia, eu sei disso.

O Português não fui eu que o escrevi, coloquei a fonte, veio numa revista da armada, e está escrito no Português corrente da altura, fiz uma alteração apenas pois o farol estava escrito com ph.

O alentejo não dorme.

Abraço.