A ultima incursão no azul


No passado dia 12 de Outubro, fui fazer um mergulho/caça submarina, aproveitando o dia e as condições levei a câmara fotográfica da qual resultou esse pequeno teste. Teste às capacidades físicas, à máquina, as avaliações do que está por baixo do azul...

O espaço comunitário entre estes camarões, a navalheira, anémona e as varias espécies de algas.


Á primeira vista pode parecer um simples fundo mas não o é efectivamente, trata-se de um "spot" de spinning, onde já capturei alguns exemplares, a sua essência não é visível com mar mais calmo, mas com alguma agitação é fácil concluir o que poderá ocorrer aqui neste preciso local, imaginemos simplesmente um manto de oxigenação até ao meio da pedra, a direcção da ondulação é da direita para a esquerda da fotografia, os nossos amigos predadores colocam-se na base/inicio da areia onde vagueiam ao longo deste muro de pedra em busca de algum alimento trazido pela ondulação seja ele um pequeno peixe cambaleando, um molusco a movimentar-se, um crustáceo arrastado, poliquetas à deriva pelas movimentações de água, etc.

Em suma uma zona de emboscada.


Este safio encontrava-se numa cova que já conheço à bastantes anos, até à bem pouco tempo encontrava-se coberta de areia, actualmente conta com este inquilino com certa de 3 kg que tive o prazer de não o incomodar para além do "flash" da fotografia, pode ser que cresça mais um pouco...

Comparados com uma arma de 1 metro

Efectivamente fiquei um pouco incomodado e perplexo com a quantidade de areia que chegou à zona onde estive, pois à mais de 15 anos que frequento o local e nunca o vi como nos últimos 2/3 anos.

Por outro lado, encontrei centenas de Sargos, Safias, Salemas, Carapaus, Chopas, peixes rei, Tainhas, muitos mesmo, a sua grande maioria está patente na espécie Sargo. Exemplares esses que não contavam para um premir do gatilho da Picasso Standart, mas que fariam as delicias de muita gente se fossem capturados junto à costa por anzol...

frequentei muitas tocas de sargos conhecidas, estando as mesmas desabitadas, tive a sorte de encontrar 2 exemplares de bom porte como já não via à algum tempo num local e a felicidade de os capturar, por outro lado visitei outro buraco tendo capturado o robalo e o outro sargo, mas tendo a certeza de terem lá ficado bastantes mais exemplares de maior porte, pois a galeria era enorme e os bons exemplares colocaram-se numa zona que não oferecia condições de tiro.

Entre descidas lá ia encontrando algumas navalheiras que ia seleccionando por sexo, tendo libertado algumas fêmeas sem que as mesmas estivessem ovadas.

Capturas:

Navalheira - 1.800 kg todas machos.
Robalo - 1.400 kg
Sargo - 1.500 kg - 1.000 kg - 760 g

O resultado das duas horas de observação, procura foram as pequenas filmagens, as fotos, as capturas e duas horas de apneia para testar o físico e purifica-lo...


O maior exemplar, foi pena ser um exemplar recentemente chegado à costa pois estava um pouco magro e não tinha nada dentro do bucho e intestinos.

Comparados com uma Maria Angel Kiss.

Desde este dia nunca mais fui ao mar e ando a precisar de mais uma incursão...

10 comentários:

Anónimo disse...

Parabens pelos artigos os leio sempre com muita satisfação, e agora os videos ainda vieram trazer mais riqueza ao blog
Cordeiro

ACS disse...

Muito bom, parabéns, ainda conhece os locais e que belos imagino, se por cima é o que é, por baixo então, aquilo que desconhecemos é o que mais prazer nos dá observar. Já agora gostei do pormenor selectivo das capturas.

Continue.

Sargus disse...

O meu agradecimento pelo comentário Cordeiro.

Isto do vídeo foi uma brincadeira com material "light", apenas por curiosidade, mas vou tentar fazer melhor, dentro das minhas capacidades, pois agora já sei mais ou menos com o que posso contar no azul.

Abraço.

Sargus disse...

Caro ACS.

O meu agradecimento pelo comentário.

Sim de facto que conhece o que está ao alcance dos nossos olhos fora de água e o que está submerso tem a capacidade de avaliar essa beleza tão diferente mas tão igual.

Outro Mundo...

Gostei da frase "aquilo que desconhecemos é o que mais prazer nos dá observar".

Quanto ao pormenor selectivo das capturas é uma realidade, embora essa realidade seja a mesma na pesca à linha não vai à mesma bitola, depende da consciência de cada um realizar as capturas por tamanhos que bem entender dentro da lei ou superior a ela, nisso cada um é livre de fazer o que bem entende e existem enormes opiniões formadas por muitos praticantes bem distintas umas das outras, algumas caindo em fundamentalismos desnecessários, mas, são livres de ter a opinião que acharem mais justa.

Abraço.

Sargollini disse...

Olá Fernando

Como sempre, ofereces-nos mais um excelente e educativo relato desta e doutras tuas incursões submersas e não só, por isso muito obrigado e parabéns.

Um abraço
Continuo a gostar de ler e ver ;)

Sargus disse...

Viva Sérgio.

Desde já obrigado pelo comentário.

Um relato baseado nas centenas de horas que passei a fazer caça submarina no local, outras tantas horas passadas na pesca à linha e mais recentemente algumas horas em spinning, assim é fácil chegar a uma conclusão quando aliamos vários factores, aqueles que observamos dentro e fora de água mais aqueles que conhecemos das espécies...

"Continuo a gostar de ler e ver ;)"

Eu também continuo a gostar de saber que andas com a mão quente nos Labrax ;)

Parabéns também para ti, infelizmente ando sem tempo disponivel para fazer umas pescarias, pois ando "ambuchado" com trabalhos para a Universidade.

;)

Abraço.

Anónimo disse...

Boas:

Só podia vir de ti.Mereces o 0ceano que tens dentro de ti e ao pé da porta.

Alentejanando
Paiva

O Cavaleiro da Triste Figura disse...

Como se distingue a navalheira macho da fêmea?

Parabéns pelo artigo,

Rui

Sargus disse...

Viva caro amigo Paiva.

Como vai esse Alentejo profundo?...

"Só podia vir de ti.Mereces o 0ceano que tens dentro de ti e ao pé da porta."

Esta frase está demais, obrigado!

Abraço caro amigo.

Sargus disse...

Viva Rui.

Desde já obrigado pelo comentário.

Essa distinção pode ser feita de duas maneiras, ambas elas muito simples de detectar, podem ser pelas pinças frontais, os machos tem-nas mais desenvolvidas e maiores que as fêmeas ou pelas ovas que alojam na zona do abdómen, mas fora do período de reprodução a zona do abdómen é idêntica entre machos e fêmeas.

Espero ter esclarecido.

Abraço.

Como se distingue a navalheira macho da fêmea?

Parabéns pelo artigo,

Rui