Derrame de crude no Porto de Sines

QUERCUS apela para uma informação verdadeira e atempada

Por incrível que pareça, no passado dia 14, ocorreu um derrame de crude no Porto de Sines, de média gravidade, sem que a Administração do referido porto (APS) tenha prestado os esclarecimentos suficientes e obviamente devidos para se evitarem especulações e até para se obterem as colaborações eventualmente voluntárias ou institucionais, aliás previstas no documento “Mar Limpo”.

De acordo com a APS, «cerca das 11:00 H de segunda-feira, no posto 2 do Terminal de Granéis Líquidos do Porto de Sines, aquando da preparação para uma operação de descarga, ocorreu um pequeno derrame de crude junto ao citado posto que se estima em dois mil litros».

O «PEQUENO» derrame, “de cerca de 2.000 litros” que a APS diz ter ocorrido prolongou-se até hoje, passados que são oito dias, e chegou a 20 quilómetros a sul de Sines (praia do Malhão, no Concelho de Odemira, onde funcionários da Administração do Porto, ontem, recolhiam crude)!

De acordo com as declarações da APS teriam sido recolhidos cerca de 1.500 litros, logo no dia do derrame, junto do local onde este ocorreu.

A Quercus tentou obter da APS informações oficiais sendo que nenhum elemento da Administração esteve disponível, apenas tendo sido possível o contacto com um quadro que não tinha informação de pormenor.

Informações de fontes não oficiais afirmam que o derrame teria sido, no mínimo, de três toneladas, sendo que outras referem que poderia ter atingido as oito ou dez.

Quanto às causas do acidente na descarga do navio “Isi Olive” nada se sabe.

O que se sabe é que outro navio, o “Mar Adriana” se recusou a sair para o mar sem que o respectivo casco fosse limpo. Porém, o “Sn Stella” largou com o casco sujo sendo previsível que o vá limpando enquanto navega!

Fontes não oficiais referem-nos que ao nível da APS, “70% dos equipamentos de sucção estão em deficientes condições de operacionalidade” que “as barreiras de contenção do “pequeno” derrame chegaram ao local cerca de quatro horas depois” e que “em seis semanas terão ocorrido dois derrames nos Postos 4 e 2 (em 8 de Junho e 14 de Julho) de que, aliás, ninguém falou!

Admite-se que parte destas informações não sejam totalmente rigorosas.

Porém, não deixa de ser estranho que a informação no site da Administração do Porto de Sines sobre o navio “ISI OLIVE” não tenha estado disponível, ao contrário da de todos os outros navios!

Tudo isto para concluir que a ausência de informação permite todas as especulações já que, como diz o povo, “quem não deve não teme” e “não há fumo sem fogo”.

Anda mal a Administração do Porto de Sines quando se fecha sobre si própria não se disponibilizando para prestar informação aberta e clara.

De qualquer forma, sabemos que o navio largará do Porto de Sines hoje, dia 21 de Julho, com destino ao porto que tem por código «ZZ 997».

É legítimo interrogar:
Sairá o “ISI OLIVE” com o casco limpo ou limpá-lo-á a navegar?


Lisboa, 21 de Julho de 2008
A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Fonte:

4 comentários:

Anónimo disse...

O estado obsoleto da grande maioria dos equipamentos de protecção ambiental é uma realidade. Infelizmente é mais vantajoso gastar milhões em carros e casas para os administradores e funcionários dessa dita empresa.
Hoje foram 2000 l, mas amanha poderá ser outro Marão. É caso para dizer que o crime ambiental continua a compensar.
Enfim, mais uma atitude típica de “Chico Espertismo”!
Já agora, aproveito para dar os parabéns pelo 1º aniversário do Oceanusatlanticus.
Continua com toda essa força e convicção, pois vais no trilho certo…
RM

Sargus disse...

Viva RM,
Tens razão no que dizes, toda a zona de Sines é um autêntico barril de pólvora em termos de impactos ambientais directos e indirectos...

Qualquer que seja a politica ambiental de defesa dos eco-sistemas limitrofes aquela area é pura utopia.

Todos sabemos o impacto que esta a ser criado pela Termo Eléctrica de Sines a funcionar a carvão

Por outro lado temos as "transfegas" de crude que como este exemplo "soft" comparado com o que aconteceu com o Prestige, mas não existe fumo sem fogo. Apenas o que todos queremos é que se tenha aprendido com este erro e não se volte a cometer, que se calhar nem o foi, ou que se calhar até terão existido já outros "abafados", afinal o declínio da fauna e flora nesta costa tem vindo a aumentar de ano para ano, afinal o estudo do declínio do montado dos sobreiros tem sido mais um ponto que esclarece esse mesmo impacto ambiental em prol do suposto desenvolvimento do pais.

O dióxido de enxofre em contacto com a água torna-se em Acido sulfúrico, ora este mesmo acido é responsável pelas chamadas chuvas acidas que por acção directa dos ventos dominantes poderão percorrer vários km.

Estes e outros factores são de conhecimento público resta saber se estamos preparados para os aceitar e uma vez que aconteça o pior as perguntas:

- Quem será responsabilizado por um desastre ambiental?

- Estarão as populações locais preparadas?

- A existência do PNSACV serve para fazer a fronteira entre o 8 e o 80?

- Que contra partidas tem as populações locais pela degradação constante da sua área?

Obrigado pelo comentário e pelos parabéns, ainda parece ontem que me incentivaste a criar este projecto.

;)

Abraço.

Anónimo disse...

Caro Fernando
Antes de mais gostaria de dar os parabéns pelo 1º aniversário e deixar aqui uma palavra de incentivo à continuação deste blog ao qual acedo todos os dias na esperança de mais uma das entradas muito interessantes que prendem a minha atenção do princípio até ao fim.
Quanto ao derrame no porto de Sines, penso que devia ser feita uma análise exaustiva e imparcial do sucedido. Trabalho no porto de Sines e assisti às 1ªas horas do derrame e apesar de não acreditar nos valores estimados do derrame (os tais 2000 litros...), penso que realmente tivemos muita sorte porque realmente foi um pequeno derrame, e na óptica (teórica) dos meios de protecção era facilmente controlável.
O que se passou então?
Porquê o atraso na colocação das barreiras?
Porque não funcionaram convenientemente os meios de sucção?
E agora se pensarmos numa situação extrema, um rombo num navio ou danos estruturais num cais de descarga, o que acontecerá? Será que com equipamentos obsoletos e em mau estado de conservação (para não falar sequer nos meios humanos...) conseguiremos evitar uma catástrofe ambiental de grande escala?
Eu sei que infelizmente estas perguntas ficarão sem resposta. Resta-nos apenas esperar que as entidades (in)competentes usem do bom senso e que tenham consciência que não podemos apenas confiar na sorte e que os grandes desastres ambientais só acontecem nos outros países.
Um abraço
Pedro Palma

Sargus disse...

Boas Pedro,

Desde já agradeço as felicitações pelo 1º Aniversário.

Quanto ás entradas tento dar especial incidência aos pontos que me dizem algo e me tocam mais.

Quanto ao assunto desta entrada, muita coisa existirá por dizer ou explicar, e muito certamente irá ficar por explicar, "já passou"...

Resta saber se existirão meios materiais e humanos que tenham a capacidade não só de prever e evitar, mas sim combater em ultimo caso uma situação destas, até porque duvido muito que esses meios existam ou se os simulacros são treinados para melhoria da capacidade de intervenção.

Os desastres ambientais só acontecem onde têm de acontecer e para isso ocorrer existirá ou falha humana ou material, e como tal existirá uma responsabilidade a imputar.

Obrigado mais uma vez pelo comentário.

Abraço.