Quando o meu filho me disse que queria começar a vir comigo para o mar a sério, a minha primeira reação não foi escolher amostras ou empatar anzóis. Foi olhar para ele e pensar: como é que lhe dou a paixão pelo mar sem nunca lhe tirar o respeito por ele?
Aos 15 anos, a vontade de apanhar peixe é devoradora, mas a pesca de mar, especialmente nas nossas falésias, exige cabeça fria. Antes de qualquer jornada, o nosso primeiro "exercício" foi parar no topo da arriba, olhar a ondulação, contar as séries, perceber onde o mar bate e para onde vai a corrente, se temos condiçoes de segurança para o local que pretendemos ir, e se estão reunidas as condições para termos contacto com o peixe.
Ensinei-lhe que a autoconfiança na pesca não vem de ser destemido, mas sim de saber exatamente onde se põe o pé e até onde se pode ir, a descida da falésia não é uma corrida, mas sim, um compromisso com a segurança.
Mudámos de registo, introdução ao Spinning, lançar amostras na espuma em busca do robalo, dito assim parece facil e simples, mas não é.
O spinning ensina a ter perspicácia, é procurar a oxigesnação de água em zonas com pouca profundidade, poderão ter pedra, ser mistas (pedra e areia) ou somente com fundo arenoso, ter garra para lançar dezenas de vezes e manter a confiança mesmo quando o peixe parece não querer nada connosco, e insistir...
E quando a cana finalmente dobra com o peso de um bom robalo, a recompensa não é só o peixe na mão é ver um jovem a transformar-se num pescador consciente, autónomo e responsável.Foram três tentativas, uma para trabalhar os lançamentos do artificial e a adaptação à cana de Spinning, a noção de que temos de ter um nivel constante na recoperação da amostra e introduzir pequenos toques de ponteira em determinadas alturas.
O por do sol, o inicio da noite, a noite serrada e escura... Confesso que tive algum receio da parte dele no acompanhar-me durante a noite e numa pedra cercada pelo mar, apenas com a iluminação das estrelas e a adaptação da nossa visão à escuridão.
Alguns lançamentos e pequenos peixes, tive o cuidado de o chamar para sentir um pequeno robalo, mas infelizmente pequeno e saiu logo, tendo sido devolvido de imediato. Acompanhei-o troquei de artificial e disse-lhe para lançao em frente porque o coroa de areia estava naquele sentido e seria ali que poderia dar um bom robalo, que andaria à procura de alimento.
Dirigi-me para o meu local e oiço ele a chamar por mim e o drag a abir um pouco, era um bom exemplar, disse lhe para ter calma e não forçar muito a recoperação e quando o peixe chegou à pedra, ajudei-o na recoperação e retiramos o exemplar da água, o seu primeiro robalo, sozinho, algo que lhe deu uma confiança e acreditar que o spinning é mesmo uma modalidade de adrenalina.
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