Galiza: Começou o julgamento do caso ‘Prestige’



“Ordens erradas das autoridades”

O comandante do petroleiro ‘Prestige’, cujo afundamento ao largo da Galiza, há 10 anos, causou a maior catástrofe ambiental de sempre em Espanha, vai alegar que foram as autoridades marítimas espanholas as responsáveis pela gigantesca maré negra que se estendeu por mais de 1600 km e causou mais de 4,4 mil milhões de euros de prejuízos.

O julgamento do caso, que ontem teve início na Corunha, tem quatro acusados, mas só três vão sentar-se no banco dos réus: o comandante do navio, Apostolos Mangouras, o chefe das máquinas, Argyropoulos Nikolas (ambos de nacionalidade grega), e o o antigo chefe da Marinha Mercante espanhola, José Luis Lópes-Sors. Falta o primeiro-oficial Ireneo Maloto, de nacionalidade filipina, que se encontra em paradeiro incerto e será julgado à revelia.

A Justiça espanhola pede 12 anos de prisão para o comandante Mangouras por negligência, desobediência, danos e crimes contra o ambiente, enquanto os restantes são acusados de crimes ambientais e arriscam penas entre os quatro e os nove anos de prisão.

A defesa do comandante vai pedir a absolvição, porque alega que as verdadeiras responsáveis pela tragédia são as autoridades marítimas espanholas, que, a 14 de Novembro de 2002 – um dia depois de o ‘Prestige’ sofrer um rombo no casco ao largo do cabo Finisterra – "assumiram o controlo do navio e tomaram várias decisões erradas". Entre elas, afastar o navio para alto-mar em plena tempestade, fazendo com que se partisse em dois e que o fuel derramado – mais de 64 mil toneladas – entrasse nas correntes marítimas e se espalhasse ao longo de mais de 1600 km de costa, entre o rio Minho e o sudoeste de França.

O julgamento, que deverá durar pelo menos sete meses, vai ouvir 27 procuradores, 70 advogados, 140 testemunhas e 98 peritos.


Fonte: CM

1 comentário:

Manuel disse...

10 depois de uma tragédia desta dimensão vai haver um julgamento, haja justiça está claro!