«O mar é de todos nós; pescadores submarinos são portugueses de pleno direito!»

Caros Amigos,

Acabei de ler e assinar esta petição online:

«O mar é de todos nós; pescadores submarinos são portugueses de pleno direito!»

http://www.peticaopublica.com/?pi=APPSA

Eu pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar.

Subscreve a petição aqui http://www.peticaopublica.com/?pi=APPSA e divulga-a pelos teus contactos.

Obrigado.

4 comentários:

Anónimo disse...

O que eu sei por experiênci pópria é que desde que a pesca submarina foi proibida em Sesimbra há cinco anos o número de sargos que capturo à cana naquela zona aumentou. Portanto, não me venham com tretas de que a pesca submarina é amiga do ambiente, que é selectiva e blá, blá blá.

A costa vicentina tem um defeso natural que é o estado do mar que impede os caçadores submarinos de irem ao mar muitos dias no ano. A costa abrigada de Sesimbra não tem defeso natural. Pode caçar-se nela quase todos os dias do ano. E foi isso que aconteceu nos últimos quarenta anos com resultados desastrosos para a abundância de algumas espécies de peixes.

Esperemos que a interdição de caça submarina em Sesimbra possa contribuir para a melhoria do estado das coisas. Para já, os sinais são positivos.

Sargus disse...

Viva caro(a) amigo(a), desde já o meu agradecimento pelo comentário.

Poderá haver alguma ligação entre os dois factores (pesca submarina e pesca de cana), não duvido, o que pessoalmente não concordo (como pescador submarino e de cana costa/embarcada) é que existam dois pesos e duas medidas.

Vamos por partes...

Será a pesca submarina responsável pelo declínio das espécies?

Será a pesca de costa (cana) responsável pelo declínio das espécies?

Será a pesca profissional responsável pelo declínio das espécies?

Ambos os praticantes destas actividades dirão que são os outros que fazem isto e aquilo...

Todos temos culpa, todos exercemos pressão e contra factos não há argumentos.

Eu falo por mim, capturo peixe mais pequeno com mais facilidade na pesca de cana do que na pesca submarina, porque tenho a possibilidade de escolher o que quero disparar, na pesca de cana tenho a possibilidade de capturar e libertar com vida, na caça submarina não é bem assim...

Amiga do ambiente, certamente um caçador submarino não deixa resíduos como os pescadores de cana nas rochas, não fuma na actividade por exemplo...

Não estou contra nem a favor da pesca submarina, sou praticante desde os 12 anos (iniciação), mas também sou praticante de pesca apeada e anfíbia.

Toda a costa esta a sofrer transformações, deixaram de ocorrer as maresias de à 15 anos a esta parte onde ninguém pescava (pelo menos por aqui) pelo estado do mar e das aguas, velhos tempos.

Caro amigo uma costa que carece de marisco e mar mexido é boa maternidade para pequenos alevins, comparar Sesimbra ao SACV é um pouco difícil.

Como não conheço a vossa realidade apenas falo comparativamente com a minha maneira de estar como frequentador do mar seja ela a fazer caça submarina, a pescar embarcado, a pescar na costa ou a fazer spinning, reconheço porem que existem pescadores/caçadores e predadores.

;)

Espero que compreenda o meu comentário, reitero mais uma vez que pesco mais vezes de cana do que em caça submarina mas faço ambas, respeitando os recursos, medidas, capturas e o ambiente.

Abraço.

Catarina disse...

A unica coisa com que concordo na peticao e' o titulo: "O mar é de todos nós; pescadores submarinos são portugueses de pleno direito". Agora a ilacao que e' feita, de que os pescadores submarinos por serem portugueses de pleno direito tem direito a pescar sem restricoes, e' demagogica. Todas as actividades de pesca tem as suas restricoes, em funcao do numero de praticantes, da intensidade da actividade, da sua selectividade, etc. Porque e' que nao mencionam a quantidade de peixe que um pescador submarino apanha em media de cada vez que vai a pesca? E pescar apenas os exemplares maiores nao e necessariamente bom, pois os exemplares maiores sao para muitas especies os que tem maior capacidade reprodutora.
Como em tudo na vida, e necessario moderacao nas actividades. As restricoes nao sao iguais para todas as actividades porque estas sao, como ja disse, feitas em intensidade, frequencia e dimensao diferentes.

Anónimo disse...

É corrente a ideia entre os praticantes de caça submarina de que a proibição da modalidade em áreas marinhas protegidas carece de fundamento científico plausível. Embora em Portugal sejam raros ou nulos os estudos sobre o impacto da caça submarina na ictiofauna, outros estudos, nomeadamente no Mediterrâneo ocidental, mostram que aquele não é negligenciável como alguns pretendem.

São particularmente vulneráveis à acção da caça submarina as espécies territoriais, de crescimento lento, vida longa e com baixo potencial reprodutivo (caso do mero). Mas também as espécies hermafroditas sequenciais, como por exemplo o sargo, podem ver a sua estrutura demográfica alterada pela a acção da caça submarina.

Regra geral, os peixes têm um aumento exponencial do potencial reprodutivo com o tamanho. Isto é, quanto maior for a idade de uma fêmea, mais ovos põe. Em algumas espécies, sabe-se mesmo que os indivíduos de maior tamanho produzem larvas com um potencial de sobrevivência substancialmente melhor ao das larvas produzidas por indivíduos mais jovens e de menor tamanho. Tendo em conta que a caça submarina incide maioritariamente sobre os indivíduos de maiores dimensões, os quais, no caso do sargo, pertencem ao género feminino, um desequilíbrio entre o número de indivíduos machos e fêmeas acabará por ocorrer inevitavelmente. Na realidade, existem hoje indícios de que a remoção selectiva dos exemplares mais velhos e de maiores dimensões poderá comprometer a sustentabilidade de alguns recursos pesqueiros.

As evidências científicas disponíveis sugerem ainda que a acção da caça submarina é mais nociva para as espécies que habitam em águas pouco profundas de áreas costeiras abrigadas. Os efeitos podem ser agravados nos casos em que as zonas de caça se localizem na proximidade de grandes centros urbanos.

Ora este é justamente o caso da costa de Sesimbra/Arrábida. Dada a sua orientação Oeste/Este, o mar é geralmente calmo, transparente, apresentando em mais de 70% do ano ondas de altura inferior a 1m. Estas características, que permitem a prática da caça submarina durante quase todo o ano, aliada à sua localização próxima de uma metrópole com mais de 1 milhão de habitantes, fizeram com que a costa de Sesimbra/Arrábida estivesse sujeita a um elevado esforço de caça até à criação do parque marinho. As consequências desse esforço terão contribuído certamente para a diminuição significativa da abundância e da massa corporal média verificadas em algumas das espécies-alvo de peixes.

É certo que a caça submarina não será a única razão para este decréscimo. Mesmo assim, os efeitos negativos da sua acção, que hoje encontram alguma sustentação científica, não podem ser ignorados ou escamoteados.

Cumprimentos,
Mário Pinho