Férias x Portaria n.º 143/2009 de 5 de Fevereiro

Portaria n.º 143/2009 de 5 de Fevereiro

Artigo 5.º

Apanha

1 — As espécies passíveis de apanha são as seguintes:


a) Ouriços -do -mar, crustáceos, mexilhões, lapas e burriés constantes do anexo II da presente portaria, da qual faz parte integrante;
b) Poliquetas para isco, nos termos da legislação em vigor.

2 — É interdita a apanha de fêmeas de navalheira quando estas estiverem ovadas.

3 — A captura dos organismos referidos no n.º 1, alínea a), pode ser efectuada com faca de mariscar.

4 — A apanha só é permitida aos detentores de licença de pesca lúdica que sejam naturais ou residentes nos concelhos de Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo, abrangidos pelo PNSACV, considerando -se para efeitos de determinação da naturalidade e residência, exclusivamente, a que constar do bilhete de identidade.







Uma vez mais o Verão, com ele a afluência às zonas balneares, com o somatório das marés vivas, zonas areadas e mar manso, a apanha de perceves e mexilhões ressalta à vista, numa semana a frequentar uma determinada praia, nem um único dia se assistiu a uma fiscalização, quer da Policia Marítima como dos Vigilantes do ICNB, estamos no verão como é óbvio existe muito outro tipo de intervenções por estas entidades e como tal os meios humanos não dão para tudo... A conversa do costume.

Brevemente encerrará a época balnear e com ela abrirá a outra época, a época de controlar os residentes do PNSACV que quer em Sagres, Aljezur ou Odemira, se deslocarão ás jornadas de pesca e apanha, mas não pisem o risco porque serão controlados.

Entretanto enquanto isso não acontece, o infanticídio de perceves e mexilhões continua...

Haja serenidade para enfrentar estas coisas dos ambientes, preservação das espécies, legislações e fiscalização ou falta dela...

Portaria n.º 143/2009 de 5 de Fevereiro

Pesca lúdica no PNSACV

38 comentários:

Pedro Nunes disse...

Então claro! Eles n querem incomodar os Srs. k vem de ferias para ñ os afugentar, pq são eles k dão muito dinheiro a região agora n Verão, os veraneantes k andam a mariscar nessa zona nem sabem k existe uma lei, mas tb nem precisam d saber pq a lei ñ os prejudica a eles nunca serão multados, as multas só são aplicadas aos pescadores e apanhadores lúdicos, os k realmente amam a Costa Vicentina e k ñ sabem viver sem ela, aproveito p relembrar o estúpido defeso do sargo k só abrange os lúdicos quando um dia vi agentes da policia marítima a multarem uns velhotes k toda a vida pescaram ali e tinham 2 Sargos capturados n Fortaleza de Sagres e nessa mesma manha n mercado vi eu cerca de 20 sargos kileiros na banca, estes n volta ñ desovam devem ser estéreis pensei eu…
Não sou contra o defeso, mas um defeso verdadeiro, ou é defeso ou ñ é defeso, seus DEFICIENTES…
O sistema esta feito para prejudicar os lúdicos.
Abraço

Anónimo disse...

Sem oxigénio o fogo não arde.

Vamos atear algum fogo:

Para que queria o amigo Sargus fiscalização no verão?
Para multar aqueles banhistas de fora que se entretinham a apanhar qualquer coisa na areia?

Para apreender o marisco que vai no saco do banhista etc. ?


Ora os do ICNB não são doidos para abrirem uma frente de guerra com os banhstas de fora...

Basta-lhes os "animaizinhos de estimação" que são os lúdicos durante as outras estações!
Cumprimentos
Alice Sampaio

Anónimo disse...

Mas é evidente como diz Pedro Nunes (e não é este o inventor do "nónio"), mas, mesmo assim, está certo!

Ora se eles não multam os forasteiros, só lhes resta, para mostrar serviço e justificar o que auferem através do Orçamento de Estado, chatear até à medula esses amantes da Costa Vicentina.
Amantes? é como quem diz, são "amantes" enquanto a teta der leite...Quando deixar de ar leite hão-de viver com outros amores, podem crer!
Roberto A. de Campos

Sargus disse...

Viva Pedro, obrigado pela partilha de opinião.

Sou contra a portaria tal como ela está, não concordo com a proibição de cidadãos Portugueses de pleno direito tal como nós de não poderem exercer a apanha de marisco.

Mas claro que a legislação não os afecta, a legislação apenas afecta os residentes e digam o que disserem, já falta pouco para começar-se a ver a caça à multa por estes lados...

Fiscalização sim, mas todo o ano e para toda a gente, já agora deveria haver apenas uma legislação lúdica geral que contempla-se todos os cidadãos na mesma balança evitava-se estas situações, que eventualmente se forem avisados que existe uma lei e que não podem apanhar ou podem ser autuados ainda reagem mal...

Os sargos das bancas capturados pelas redes dos Prós, são todos estéreis, já estão na menopausa e por ser uma actividade profissional não pode ser tocada, querem lá saber se a espécie está em risco ou não, querem é facturar...

Se nós formos apanhados com um sargo é talhada certa na altura do defeso, processos e perdas de tempo e dinheiro, mas um artista de um estrangeiro que entre em portugal (como foi o caso de uma situação real), entre numa casa velha e em dois dias escave um buraco para assaltar uma ourivesaria, é apanhado em flagrante, vai a tribunal e é libertado a sua morada é espanhola, ficará notificado para comparecer em tribunal... Se fosse eu, ui, já estava preso...

O defeso não me afecta rigorosamente nada, pratico outras actividades nessa fase (spinning), não consigo aceitar é a palavra defeso, se for restrição aos residentes lúdicos no PNSACV tudo bem, porque só aqui os sargos desovam e para mal dos pecados dos lúdicos...

Abraço Pedro

Sargus disse...

Viva caríssima Alice Sampaio, o meu agradecimento pelo "combustível".

"Sem oxigénio o fogo não arde."

Deverá sempre existir:

Combustível
Comburente
Energia de activação

Eu não queria fiscalização no verão, eu gostaria que existisse de uma vez por todas um entendimento verdadeiro à cerca do que se defende nas legislações feitas pelos catedráticos de gabinetes da Capital, apenas isso, se não conseguem deixem de legislar, se não tem meios humanos, adquiram-nos, não defendam utopias ambientais e de preservação.

Os banhistas de fora não me afectam rigorosamente nada, se o fizessem teria prontamente denunciado a situação, o que me incomoda é dualidades de critérios, falsas legislações e fiscalizações, falsos moralismos ambientais, que não levam a nada.

Quanto aos "banhistas de fora" tem precisamente os mesmos direitos que eu de frequentar o espaço, de apanhar o que quiserem e lhe apetecerem, etc, são cidadãos nacionais como eu.

"Ora os do ICNB não são doidos para abrirem uma frente de guerra com os banhistas de fora..."

Mas abrem frentes de guerra aos residentes dos concelhos de Vila do Bispo, Aljezur e Odemira e não só...

Cumprimentos.

Sargus disse...

Carissimo Roberto, não deixa de ter razão.

Grato pelo comentário.

Quanto à questão de mostrar serviço faz parte dos objectivos das autoridades passar os autos, é fácil, basta esperar no alto das falésias...

Se não os passam no verão, passarão no inverno, lá para o final do ano quando verem que o objectivo esta longe, é como peixe ao engodo, coitados dos prevaricadores...

Quanto aos amantes haverá com A e a, pessoalmente acho que vivo na melhor zona do pais, defendo-a, estimo-a, trabalho nela e nela nasci e quero acabar os meus dias, mas acredito que alguns quando a vaca deixar de dar leite, a vende e compram outra que lhes produza o leite.

Cumprimentos.

António Matos disse...

Boa tarde Fernando como sabes quando posso dou umas escapadinhas até à zona em questão e este ano não foi excepção e vi algumas coisas interesantes de se ver, até porque estive mais atento.

Estive na Zona uma semana em Julho mais a primeira quinzena de Agosto e tenciono voltar mais uma semana no fim de Setembro.

1º A questão do vereneantes que andam como loucos de baldinho na mão e de camaroeiro sempre foi assim e é pena as pessoas não terem mais consciência do que fazem e do que transmitem aos seu filhos.

Quanto a este problema vi duas acções de fiscalização da policia maritima em Agosto durante 2 marés de lua durante a vazante, não multaram mas educaram as pessoas em questão obrigando a devolver ao mar o que tinham apanhado assim como estrelas do mar que muitos tinham metido a secar em cima dos chapéus de Sol.

2º Vi tambem a apanha de Percebe e de navalheiras por pessoas que sabiam o que andavam a fazer os mais novos afoitos e de saca cheia(para comercializar) borrifando-se para a legislação, outros mais velhos a carregar menos quantidade mas com vergonha estampada no rosto por saberem que o que fazem vai contra as regras.

3º Quarta-Feira dia de não pesca dentro do parque, incrivél não vi um unico pescador.

4º Uma coisa que me saltou à vista foi ver algumas pessoas que após o dia de trabalho vão ao mar apanham 3 a 4 peixes arrumam a tralha e voltam para casa, de tirar o chapéu.

5º Os Sargos andava a pegar bem nos iscos da maré, solução ir pescar com um residente para me apanhar o isco :)

6º Peixe à venda sem medida (sargos) vi alguns quem os apanhou e vendeu ...


Enfim vi de tudo umas boas outras menos boas mas temos que mudar muito.

Abraço

Sargus disse...

Viva António, tudo bem contigo.

Na tua 1ª questão:

É um facto, mas é muito bonito levar as crianças a apanhar uma estrela do mar, uns caranguejos, uns cabozes, ou mexilhão e colocar num baldinho ou a secar em cima das pedras ou sobrinha de sol para as crianças se entreterem.

"vi duas acções de fiscalização da policia maritima em Agosto durante 2 marés de lua durante a vazante, não multaram mas educaram as pessoas em questão obrigando a devolver ao mar o que tinham apanhado"

Inédito caro amigo, no verão a PM age de uma maneira, no inverno de outra, se fosse noutra altura fosse quem fosse levava carimbo e nem perdoavam, muito menos sensibilizavam...

2º ponto:

Existe, sempre existiu e sempre continuará a existir, principalmente com as novas areadas que vchegam a costa, é um fartote de navalheiras (5,10,15 kg numa maré e as vezes mais), é facil os bichos não tem refugio, fogem à frente das areias para não serem massacrados pelas douradas e robalos e depois são facturados €...

3º Ponto:

É dificil mas já vi, mas tambem ja vi in loco um elemento do icnb a cumprir o seu dever...

4º Ponto:

Por norma ou em geral é assim que a malta por estes lados pratica pesca lúdica, mas quando chega o fds esse número acresce exponencialmente, normal...

5º Ponto:

Não contes a ninguém, mas andam a comer mexilhão, perceves e algumas algas.

Solução: Sardinha (quando comem erva pegam muito bem na sardinha) e camarão (quando andam no marisco)

6º Ponto

Acho que as coisas se mantém, para infelicidade dos legisladores e Ministério do ambiente, não controlam, não fiscalizam e depois querem o que?

A titulo de conclusão, como conseguimos mudar se cumprimos (uns mais que outros), depois chega esta altura e passam se estas coisas que pudeste testemunhar, e outras que nem imaginas...

Vi carradas de lixo em praias e nos estacionamentos das praias, não aquelas de bandeira azul, mas outras, que nem com 4 contentores de lixo traziam o lixo de la, fora o que foi mandado para o mato na zona, estes meninos deviam era estar presos.

Temos de mudar muito?! Naaa, isto com estas mentalidades não vai já lá..., mas muito bom está isto.

Abraço

Anónimo disse...

Boas

Em primeiro lugar deixar-te já de entrada um grande abraço extensivo á esposa...Devem ter uns dois metros e meio de altura; são os MAIORES.

Começo este comentário pela parte que mais abomino; a descriminação!

Então um individuo já é estrangeiro dentro do seu próprio País? Que "estória" é essa de termos leis conforme formos do Distrito X, Y ou Z ? Coisa feia!

De respeitar a Natureza todos temos o dever, independentemente de ser Parque Natural ou Não e os verdadeiros amantes do património Natural fazem-no sem serem necessárias leis de carácter xenófobo e estupidificantemente justificadas. Se são necessários defesos façam-nos com seriedade e não brinquem nem ofendam a nossa inteligência.

Passei aí três semanas de férias e adorei. Pesquei, mostrei aos meus filhos como se convive saudávelmente com a natureza e sim apanhei navalheiras para comer, qual é o mal? libertei 2 ovadas não porque qualquer lei mo obrigue mas porque assim acho que deva ser. Com que justificação se diz a um cidadão Nacional e de cadastro limpo, "Não és de cá, não podes isto e aquilo..." Se a moda pega...

Pressão de pesca? Onde? Aí?
Não me façam rir... Sejam honestos e justos, não se fazem Parques Naturais à revelia dos seus moradores, tão pouco classificando-nos enquanto povo, de "os de fora" e os " de dentro".

Meu amigo fico-me por aqui enaltecendo uma vez mais essas terras e essas gentes.

Da Caparica aquele grande abraço.

Mário Baptista

Sargus disse...

Ora viva Sr. Mário.

Os meus agradecimentos pelo comentário.

"Em primeiro lugar deixar-te já de entrada um grande abraço extensivo á esposa...Devem ter uns dois metros e meio de altura; são os MAIORES."

;)

Tanks bro

A discriminação positiva da lei tem dessas coisas, é os que mandam e não o comum dos mortais que decide, por um lado os não residentes não podem apanhar marisco mas se apanharem não são autuados, os residentes podem em pequenas quantidades se são apanhados com mais um pouco é estouro...

Não concordo, pagamos todos a mesma licença e impostos, temos os mesmos direitos de norte a sul do pais, porquê isto?

Quanto ao teu comentário aqui online agradeço-te, porque falamos durante algum tempo in loco, a comer uns robalos capturados na costa ao spinning, confeccionados da maneira que já te esquecestes, eu soletro:

AU POALLÉE

Do Alentejo Litoral aquele grande abraço.

Anónimo disse...

Este ano por razões que todos conhecemos assistimos à colocação de placas ao longo da costa a avisar do perigo de derrocada. Mesmo assim muitos preferem a sombra.
Apesar disso, parece-me que era boa opção o afixar da tal brochura emitida pelo ICNB (http://portal.icnb.pt/NR/rdonlyres/78BF4F89-C0C7-4DDC-A432-EB4183C7D410/0/BrochuraPescaLudica.pdf), numa placa ao lado da que adverte para a queda de calhaus, mesmo que não se concorde com algumas coisas. Dar a possibilidade às pessoas de cumprirem as regras era importante por várias razões. Mas não, aqui no Parque, nem a entidade PNSACV, nem as autarquias estão interessadas em divulgar estas coisas, vá lá saber-se porquê. Por aqui se vê a importância que dão aos recursos naturais, são pormenores sem importância nenhuma.
Mais do mesmo, durante as 3 sessões de esclarecimento do POPNSACV o sentido único que a coisa teve no que toca à pesca, foi que o PO é a morte da Pesca...falando com algumas associações de pescadores do Parque estes defendem que com pequenos ajustes o PO vai ser bom para a pesca a médio e longo prazo.Engraçado, parece que o caos é conveniente para alguns. As disputas PNSACV/ Autarquias pelo poder já são por demais evidentes e contraproducentes neste território, o que se precisa é de um território uno e ordenado, como alguém dizia:
«De respeitar a Natureza todos temos o dever, independentemente de ser Parque Natural...». Eu digo, pois...se não for o mar a proteger... que embraveça depressa, que já está manso à demasiado tempo.

Abraço

JN

João Carlos Claro disse...

Caros amigos

Confesso que na minha juventude também ocupei muitas horas na apanha de cadelinhas para o "petisco", mas também na altura a única área classificada em Portugal era o PN da Peneda-Gerês e não existam os actuais problemas de escassez de recursos marinhos.
Nos últimos anos, já eduquei as minhas filhas para a observação não destrutiva, ainda que privando-as da aprendizagem de actividades recolectoras. Julgo não ser um caso isolado.

Quanto à fiscalização, o ICNB terá 1 ou 2 vigilantes para toda a área, os quais estão sobretudo dedicados à vigilância contra incêndios durante a época balnear. Só os comentadores deste post triplicam esse número...

Caberá a cada um de nós, alertar esses banhistas para o facto de estarem a agir incorrectamente (e ilegalmente). Não podemos ficar à espera que o "Estado" resolva todos os males da nossa sociedade.
A maior parte desses prevaricadores certamente desconhece a lei ou está inconsciente dos impactes cumulativos causados e uma chamada de atenção por parte de quem vive na região será pacificamente aceite por muitos.

À semelhança da acção Vamos Limpar Portugal e de muitas outras de recolhas de resíduos nas praias, porque não a sociedade civil de pescadores lúdicos e de residentes no PNSACV organizar uma acção visando a preservação destas espécies e dirigida aos veraneantes, com a colaboração das autarquias e outras entidades a partir do próximo ano?
A sugestão de José Nazaré é já um bom ponto de partida.

Cordiais saudações,
João

Anónimo disse...

Amigo Sargus
Eu bem dizia, o seu site preciava de oxigénio, 12 comentários é obra.

O pessoal está por aí vigilante.

Mas depois desta "refrega" fica-me a sensação que alguns comentadores estão presos a "ninharias" e esquecem o essencial.

Um ou outro turista que apanha uma estrela do mar e põe a secar no chapéu..?
Umas conchitas aqui e além!!?, mesmo que tudo perfaça uns quilos no verão?

Abram a mente sff.

Abrasivo é a sobrepesca, a poluição e o fundamentalismo quer do icnb, quer de certos residentes que acham que eles é que são os bons.
Estamos atentos e vigilantes!
Cumprimentos.
sua Alice Sampaio

Sargus disse...

Boas JN.

O meu agradecimento pelo comentário.

Quanto à questão das placas, é um pouco complicado, mas acho que se infelizmente falecerem mais uma meia dúzia de pessoas isto vai ao lugar. Por outro lado, a formula de criação do perímetro de segurança avalia-se por:

Altura da falésia x 1,5 = Perímetro de segurança

Nota: Como é óbvio existe provavelmente 70% a 80% de zonas balneares que não estão dentro dessa "safe line", que fazer? Fechar as praias? Não sei, mas colocar sinais, produzir legislação para defesa das placas colocadas, por si só não me parece que funcione, o sol esta quente e as falésias dão abrigo ;)

As placas é da ARH.

As brochuras que falas seria do ICNB, não me parece que estejam financeiramente abastados para isso, mas é mais fácil colocar placas com espécies e fotografias descritivas do que sensibilizar para a preservação em si.

"o caos é conveniente para alguns"

O "Kaos" será sempre conveniente para alguns...

"Eu digo, pois...se não for o mar a proteger... que embraveça depressa, que já está manso à demasiado tempo."

Já tem muita areia, beneficia as entradas a mar a dentro, a locais quase inacessíveis se não através de apneia, infelizmente a equação MAR MANSO x AMPLITUDE DE ASSOREAMENTO DA AREIA x AMPLITUDE DE MARÉS está a tornar-se muito negativa.

Abraço

Sargus disse...

Viva João.

O meu agradecimento pelo comentário.

Fala de escassez de recursos marinhos, pergunto onde?

Reconheço que a pressão e aumento de praticantes contribui para uma quebra no stock, mas, onde estão os estudo que comprovam isso?

Ainda este fim de semana estive num local que se quisesse teria capturado uns cinquenta quilos de sargos, mas não foram capturados os equivalentes ao permitido por lei para duas pessoas, eu e um amigo, nem no oceanário existe tanta concentração de peixes por m2 de água, aquilo era uma coisa fora do normal mesmo... E ainda bem que é assim gostei de ver.

No que toca á educação que dá ás suas filhas, dou-lhe os parabéns pela postura que tem e o caminho que segue, outros terão obviamente outra percepção e seguirão outro caminho, mas acho que as suas descendentes agradecer-lhe-ão um dia (mais umas vezes) e terão uma outra sensibilidade no contacto com a vida "selvagem" que os outros...

Tem razão, o ICNB no maior concelho do pais tem 2 vigilantes, e andam dedicados à vigilância florestal na área do parque (ou pelo menos deviam andar), conforme o que se acorda na CMDFCI (Comissão Municipal da Defesa da Floresta Contra Incêndios).

"Caberá a cada um de nós, alertar esses banhistas para o facto de estarem a agir incorrectamente (e ilegalmente). Não podemos ficar à espera que o "Estado" resolva todos os males da nossa sociedade."

Tento e já tentei, mas não vale a pena, já ouvi de tudo, se sou guarda, se aquilo é meu, não tem medo da guarda, não pagam multas, não sabem, não querem saber, etc

"Não podemos ficar à espera que o "Estado" resolva todos os males da nossa sociedade."

Então quem resolve, caro amigo? Ando a pagar licenças, impostos sobre tudo e mais alguma coisa para quê, o ESTADO só serve para legislar e sacar o "dizimo" ao cidadão que trabalha, porque para fiscalizar e sensibilizar estamos cá nós?!... Não me parece justo!

"A maior parte desses prevaricadores certamente desconhece a lei ou está inconsciente dos impactes cumulativos causados e uma chamada de atenção por parte de quem vive na região será pacificamente aceite por muitos."

Já estive na Galiza e no Faial, com amigos, em férias de pesca, informamos nos na internet do que se podia e não podia, depois in loco falamos com locais do que se podia fazer e não se podia, tratamos de licenças e respeitamos a natureza tal e qual como ela estava (com menos uns peixes, mas é normal).

"porque não a sociedade civil de pescadores lúdicos e de residentes no PNSACV organizar uma acção visando a preservação destas espécies e dirigida aos veraneantes, com a colaboração das autarquias e outras entidades a partir do próximo ano?"

É uma belíssima ideia que já tenho em mente
à algum tempo, mas tenho-a praticado pessoalmente nas praias e nos estacionamentos no alto das falésias com a acumulação de resíduos de locais e visitantes.

O José Nazaré é boa malha e não para...

Cumprimentos carissimo João

Nota: Ainda à pouco tempo numa deslocação de Odemira para Beja, por Aljustrel observei algumas aves de rapina de pequeno porte (falcões presumo) como nunca tinha visto na zona (aumento de efectivos).

Anónimo disse...

Mais uma lenhazita para a fogueira, que oxigénio só não é combustível, ou queria dizer Hidrogénio?
Oh Alice é difícil ser mais contemporâneo e semear tanta ignorância!
Então e você é das boas ou das más?
Nós sabemos que quem têm ideias próprias e se manifesta, é logo apontado pelas Alices numa tentativa de silenciar quem tem opinião diferente e valoriza a cidadania.
«Umas conchitas…» é por gente assim que hoje nas escolas quem quer educar está fod….
Abrasivo!? Abrasivo é o deficit democrático que as Alices semeiam.
Tem tudo a ver: «… sobrepesca, a poluição e o fundamentalismo quer do icnb…», imaginem o que seria se não houvesse ICNB, LPN´s e outros assim…
Imaginem se está merda não fosse Parque…não fazem nada? ...fazem, fazem! Não deixam fazer o que o que dá na gana as Alices e isso já é muito.
Quando saíram as últimas legislações aqui para a pesca no Parque dizia-se que o Mar é de todos os Portugueses e que quem fez as leis em Lisboa não veio cá semear nada, mas quando as Alices se manifestam outras coisas transparecem…por aqui semeia-se marisco e leva-se peixe a «pastar», e se és Português mas até concordas com certas regras…caladinho que não és de cá…és residente ou visitante.

Já era tempo de se aprender a dialogar e a respeitar que os outros tenham opinião diferente.

José Nazaré

Sargus disse...

Caríssima Alice Sampaio

O meu agradecimento pelo comentário uma vez mais.

Efectivamente gosto da troca ou partilha de reflexões e ideias sobre determinados temas que coloco no blog, acho que dentro da troca de opiniões poderemos chegar a alguma conclusão mais rapidamente...

O pessoal está por cá vigilante sem duvida, mas mais com olho de lince de que outra coisa, existem leis, portarias, planos de ordenamento, coimas, taxas, mas vigilância só alguma e em determinadas épocas, tipo Abriu a época dos incêndios, nesta altura não se pode fazer fogo... (para bom entendedor...)

È difícil conhecer vivendo cá todo o ano do que conhecer passando cá uma semana ou mês, o conjunto de variáveis diminui com o tempo.

Excesso de pesca por esta zona não me parece, ou se calhar até existe e eu não vejo, agora poluição, águas de qualidade duvidosa, falta de fiscalização, contaminação de lençóis freáticos, excesso de marisqueio (licenciado e não licenciado), campismo selvagem dentro do PNSACV, amontoado de resíduos junto a zonas não balneares (areias) etc, etc, está à vista de toda a gente, só não vê quem não quer ou quem vai para locais populacionais.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

"Ainda este fim de semana estive num local que se quisesse teria capturado uns cinquenta quilos de sargos [...] nem no oceanário existe tanta concentração de peixes por m2 de água, aquilo era uma coisa fora do normal mesmo... E ainda bem que é assim gostei de ver."

Haverá alguma relação entre esta abundância de sargos e o defeso entretanto criado? Bem sei que o defeso só abrange os lúdicos, mas...quem sabe ?

Cptos
Mário Pinho

Sargus disse...

Viva Mário Pinho.

"Haverá alguma relação entre esta abundância de sargos e o defeso entretanto criado? Bem sei que o defeso só abrange os lúdicos, mas...quem sabe ?"

Na minha humilde opinião, não creio, não estamos a falar de uma barragem onde o recurso se limita a uma determinada área, estamos a falar do oceano.

A titulo de exemplo, existiam e sempre existiram espécies de tubarão na costa, mas este ano deu-se um aumento consideravel de observações desta especie: Tubarão martelo (Sphyrna spp.)

A temperatura das águas está a aumentar, as características de à 20 anos para cá também, a pressão de pesca também, etc.

Já fiz alguns mergulhos de apneia este ano e sempre observei sargos, uns maiores outros mais pequenos.

Depois do defeso o volume de capturas dos meus amigos de pesca nesta zona baixou consideravelmente, para mim o defeso não trouxe nada de anormal, é um facto, o peixe circula, encosta a terra à procura de alimento ou para a desova, podemos dizer que existirá sempre alimento na costa (perceves, mexilhões, poliquetas, camarões, etc, sim é verdade mas as correntes que os movimentam serão diferentes, assim como a comedia que existirá lá fora (pilaus por exemplo)...

Quanto em termos comparativos das questões pesos/capturas, fica um dado do ano passado:

500 kg + 400 kg + 250 kg = 1150 kg

Isto num só dia, foram vendidos em três lotas em pleno defeso dos sargos (para os lúdicos), ora grandioso contributo 1150 kg de exemplares que se estivessem somente 50% ovados desse número daria 575 kg de exemplares ovados retirados do mar em plena desova, valerá a pena comentar isto??!!

Voltando a pergunta colocada pelo Mário, o peixe naquele dia estava tão concentrado que a determinada altura apanhei três exemplares ferrados pela barriga, cabeça e cauda, estavam lá, no dia seguinte já não fui à pesca, porque entendi que não deveria voltar ao local para capturar mais uns kg, tenho peixe para uns dias, proporcionei a um amigo uma manhã que ele não esquecerá, e tudo correu bem, isso é o mais importante.

Colocarei depois o relato da manha.

Abraço e obrigado pelo comentário.

João Carlos Claro disse...

Caro Fernando

Obrigado pela sua hospitalidade neste blogue, sendo sempre um prazer opinar sobre alguns dos excelentes temas aqui colocados.

Quanto à sua réplica, estaremos de acordo no essencial, exceptuando aqui:
«"Não podemos ficar à espera que o "Estado" resolva todos os males da nossa sociedade."

Então quem resolve, caro amigo? Ando a pagar licenças, impostos sobre tudo e mais alguma coisa para quê, o ESTADO só serve para legislar e sacar o "dizimo" ao cidadão que trabalha, porque para fiscalizar e sensibilizar estamos cá nós?!... Não me parece justo!»

Efectivamente também não me parecem justas muitas das vertentes da nossa sociedade, como seja cumprir na íntegra com as minhas obrigações fiscais mas ter de pagar uma elevada tributação para colmatar as fugas ao fisco de outros ou não deixar lixo na berma da estrada e na praia mas depois ter que gramar com lixo dos outros.

Ciente que a análise sociológica do Portugal contemporâneo ocuparia muito espaço e que já existem bastantes autores (José Gil, Eduardo Lourenço, Luísa Schmidt, etc.) que vale a pena ler e reflectir, apenas gostaria de sublinhar o seguinte:
- Não sendo certamente o nosso caso, muitos dos portugueses gostam de fugir aos impostos, mas depois exigem que os diversos serviços da administração pública funcionem como se tivessem orçamentos milionários e recursos humanos quase ilimitados;
- Deita-se o lixo para o chão porque “alguém” há-de limpar; não se educam os filhos em casa porque para isso estão os professores pagos por nós; pode-se deitar o cigarro incandescente pela janela do automóvel ou fazer queimadas em áreas de risco de incêndio porque para resolver qualquer imprevisto servem os bombeiros, helicópteros e aviões - caso sejam insuficientes, é obrigação do Estado comparar mais equipamento…

O conceito de sociedade civil é algo muito jovem e ainda pouco dinâmico em Portugal. A noção de bem público e de responsabilidade individual para a sua preservação está bem patente nos países luteranos mas é algo estranho às sociedades judaico-cristãs. No nosso país é ainda agravada por uma errada noção de liberdade individual e por muitas estadias de férias em resorts no Brasil, Cuba ou República Dominicana, mas poucas a percorrer as cidades e campos da Áustria, Suécia ou Alemanha.

Sei por experiência própria, que por vezes recebemos uma resposta desagradável quando chamamos a atenção a terceiros, mas também não consigo constantemente virar as costas. Há que ter coragem e avançar em frente na defesa de valores em que acreditamos, até que nos consigam provar que estamos errados.

Mas umas reuniões de residentes no PNSACV com autarcas e responsáveis do ICNB, apelando à colocação de painéis nas praias certamente produzirão resultados. E as suas excelentes fotos ficarão bem neles, poupando tempo e dinheiro em aquisições de serviços.

Quanto ao futuro deste país, hesito entre um pessimismo realista e um optimismo porventura utópico, mas a existência deste blogue e as palavras de muitos dos comentadores permitem ainda, em muitos dos dias, a prevalência da segunda alternativa.

Finalmente, quanto às aves na zona de Aljustrel, podem tratar-se de francelhos (Falco naumanni), cuja população está a recuperar na ZPE de Castro Verde, em resultado da gestão por parte dos agricultores e dos esforços da LPN e ICNB.

Cumprimentos,
João

Anónimo disse...

Oh! senhor José Nazaré,
você (v.)deve ter acordado mal dormido ou então é um daquelas personalidades avarentas e desnorteadas que quer tudo para si e não sabe ler.

Eu nunca falei em oxigénio como combustível e isto mostra que v. está perturbado.

Repito a ideia: este blogue está cheio de combustível, mas faltava-lhe o oxigénio para poder arder.

Fiz uma pequena provocação e explodiu com mais de 19 comentários. Viu?

V. precisa de estudar física e de aprender a ler e a interpretar que é um problema da nossa juventude, embora v. já não seja um jovem propriamente dito.

Precisa também de cuidar da maneira como se exprime pois que para pessoas sensíveis como eu, nao posso de deixar de ficar chocada com esse seu modo grosseiro de exprimir o seu ideário.

Aliás dele perpassa um sentido de intransigência que me leva a concluir que v. é pior que os fundametalista do icnb e das lpn`s.

V. não paga tantos impostos assim para se julgar tão dono do parque nsacv.
Nós os banhistas não aceitamos esse desejo de fiscalização fedorento e essa de v. estar assim tanto contra os apanhadores de conquilhas, etc. mostra a mesquinhês campeante.

Peça ao autor do Blogue para lhe explicar como deve ser feita a pesca das espécies, e ele lhe dirá como a ausência de pesca diminui a capacidade de reprodução dos peixes e em que nível cientificamente deve ser feita essa apanha.

Faça meditação, vá a um psicólogo e trate-se. Nunca lhe disseram aí em casa que v. está intratável?

Alice Sampaio

Sam disse...

Bom post! Bons comentarios. Concordo com quase tudo que aqui foi dito!
Quanto às derrocadas o bom senso tem de imperar, acho a sinalização uma medida importante, e senão boa, pelo menos suficiente.

Paiva disse...

Boas:

Parabéns Fernando,.......se calhar,bago a bago,chegaremos lá...



Do alentejo profundo
Paiva

Anónimo disse...

OK Alice.
Vou seguir o seu conselho.

P.S. Não tenho nada contra os apanhadores de conquilhas ou de outra coisa qualquer.

Até à próxima,

José Nazaré

Anónimo disse...

Agradecido pela resposta, caro Sargus.

Gostaria apenas de pedir à Alice Sampaio que me explicasse como é que “a ausência de pesca diminui a capacidade de reprodução dos peixes”. Nunca tal tinha ouvido, pelo que fiquei curioso.

Cumprimentos,
Mário Pinho

Sargus disse...

Carissimo João, não tem de agradecer, faz parte do sistema, se a malta cria um "hobbie" destes (blog), é porque gosta e tem prazer em trocar opiniões sobre relatos, temas, fotos, problemas, ambiente, etc.

Já tive e tenho o prazer de acompanhar alguns textos da Luísa Schmidt, que considero bastante pela sua maneira de ver as coisas.

Quanto aos seus exemplos, penso que não entendeu onde eu queria chegar, isto do português por vezes é complicado no meio do teclar perdemos-nos...

Em suma não quis dizer que por pagarmos impostos teremos de exigir do Estado tudo o que ele é obrigado, quer em termos de Constituição, legislação e competências, mas também não queria dizer que por existir uma sociedade civil que +- deveria ser mais responsável, essas competências do Estado sejam sub delegadas na sociedade civil...

Isto é, nem 8 nem 80...

Trabalho na Protecção Civil bem sei o que é isso dos fogos, responsabilizações, limpezas, legislação, etc.

Quanto ao conceito de sociedade civil, concordo plenamente consigo quando diz que é algo muito jovem e ainda pouco dinâmico em Portugal, estamos a caminhar para lá, mas a passos lentos, é que o Laxismo dá menos trabalho e preocupação do que o empenhamento social sobre determinadas causas, típico do bom português, alguém há-de fazer... Estou ligado ao Associativismo também sei o que isso é.

Sim, também concordo, o típico tuga é mais de sol e praia, no norte da Europa existe outra mentalidade (mais evoluída) mas por si só não quer dizer que a copiemos, nunca gostei de perdas de entidade e cada vez mais se observa isso, aqui no Alentejo cada vez mais, infelizmente, quando falecerem os resistentes alentejanos de gema ninguém os sucederá...

"Há que ter coragem e avançar em frente na defesa de valores em que acreditamos, até que nos consigam provar que estamos errados."

Parabéns é isto mesmo, é isto que acredito, mas por vezes é tão difícil, é como dar murros em pontas de facas...

"Mas umas reuniões de residentes no PNSACV com autarcas e responsáveis do ICNB, apelando à colocação de painéis nas praias certamente produzirão resultados. E as suas excelentes fotos ficarão bem neles, poupando tempo e dinheiro em aquisições de serviços."

Fica a ideia, obrigado.

"Quanto ao futuro deste país, hesito entre um pessimismo realista e um optimismo porventura utópico, mas a existência deste blogue e as palavras de muitos dos comentadores permitem ainda, em muitos dos dias, a prevalência da segunda alternativa."

Segundo os pilares de sustentabilidade do pais, estou desacreditado como a grande maioria dos cidadãos, acredito mais que a "jovem" sociedade civil tenha mais pernas para andar do que o actual (ESTADO) das coisas.

Obrigado pelo esclarecimento sobre o falco...

Cumprimentos

Sargus disse...

Viva Sam.

Obrigado pelo comentário.

"Quanto às derrocadas o bom senso tem de imperar"

Sim, mas creio que só imperará efectivamente quando acontecer mais algum acidente, até lá os frequentadores, estão de ferias, e estando de férias só acontece aos outros, ou então os acidentes foram de férias também...

"acho a sinalização uma medida importante", e senão boa, pelo menos suficiente."

É importante e suficiente, mas não é tida em conta, é o principio da precaução e informação que está patente, como em toda a sinalética de informação de perigosidade média/elevada.

Abraço

Sargus disse...

Viva caro Amigo Paiva, há quanto tempo...

Então como vai isso ai pelo Alentejo Profundo?...

Quando está marcado o Congresso das Açordas?

"Parabéns Fernando,.......se calhar,bago a bago,chegaremos lá..."

Grão a grão, bago a bago, é um pouco por ai, é um pouco acreditado, e tentando que se consegue alguma coisa...

Grande abraço do Alentejo mais fresquinho (Tem dias...)

Anónimo disse...

Caro Mário Pinto,

Li esse estudo comprovado cientificamente com experiêncas, mas já não me recordo onde.

Se há muitos exemplares o nível de reprodução dos peixes baixa, se há poucos o índice de reproduçaõ aumenta, mas se são poucos por muito que seja a capacidade de reprodução, essa produtividade que tem a ver com a escala geométrica (em comparação com a aritmética) diminui.
É como a raça humana, por muita natalidade que houvesse na Id. Média a população mundial aumentava muito pouco. Agora que somos biliões um pequeno aumento da natalidade fica exponencial.

Acho que existe um instinto universal de sobrevivência.

O segredo é controlar as capturas de modo a assegurar uma quantidade média que quando estimulada a sua reprodução, acabe por conduzir a quantidades de pescado consideráveis.
Estou a falar de memória e receio que o artigo que li não fale em escala geométrica, tout court, mas julgo que essa será a razão da dita por outras palavras.

Mas creio que o sábio e amigo Sargus saberá explicar melhor isso.

Quanto ao Sr. J. Neves , se não está contra os banhistas que apanham uma mão cheia de qualquer coisa está perdoado.
Às vezes fico azeda e mordo sem querer, não me leve a mal.
Alice sampaio

Sargus disse...

"Se há muitos exemplares o nível de reprodução dos peixes baixa, se há poucos o índice de reprodução aumenta, mas se são poucos por muito que seja a capacidade de reprodução, essa produtividade que tem a ver com a escala geométrica (em comparação com a aritmética) diminui."

Um pequeno aparte...

Não disponho de conhecimentos e experiência cientifica para confirmar isso teoricamente ou na pratica.

Existem dois tipos de hermafroditismo, o protandrico (machos tornam-se fêmeas) com vista a aumentar a fecundidade das populações, temos como exemplo o Sargo, Goraz e Besugo. E o protogínico (as fêmeas tornam-se machos) com vista à protecção do local da desova, temos como exemplo o Pargo, a Boga e a Choupa.

No que diz respeito aos sargos (diplodus vulgaris), tem uma particularidade distinta, se bem que mais algumas espécies também o tem, como acima descrito, que é a questão do hermafroditismo, isto é, o sargo tem a capacidade de regulação em determinados locais, do tipo de sexo mediante determinados condicionalismos externos e internos à propria espécie.

Vejamos a titulo de exemplo, se existem 100 sargos (90% machos e 10% fêmeas) os machos tem a particularidade de adaptação ao sexo feminino, com vista a moldar a espécie para que a sua reprodução não fique condicionada por falta de efectivos femininos.

Por outro lado se por ventura forem capturados 80% dos efectivos (incluindo machos e fêmeas) poderão não estar reunidas as duas problemáticas (nº de machos em excedente e nº de fêmeas em falta).

Sou mais da opinião de que o tamanho conta nas fêmeas, isto é, uma fêmea ovada tem x mil ovos (800 gramas peso total), já uma fêmea ovada de 1,500 kg terá forçosamente 2x mil ovos. O tamanho (peso) será proporcional ao volume (nº de ovos), embora pese uma variável negativa, ao fim de x tempo de idade a fêmea perde a capacidade de reprodução e de produção máxima de ovos.

Poderá andar por estes pontos sensíveis a questão da reprodução no sargo.

Caríssima Alice Sampaio, o meu agradecimento pelo comentário, um pequeno reparo, não sou sábio, apenas tenho umas luzes das coisas porque me interesso e me dedico ás vezes a certas e determinadas questões.

Quanto ao JN é boa malha, e isto dos blogs, fóruns e Internet tem que se lhe diga, por vezes as construções das frases e ideias não passam e contra mim falo...

Cumprimentos e o meu agradecimento pelo combustível (não fóssil)

;)

Anónimo disse...

O Neves também é boa malha...e o que eu quis dizer é que não quero viver num mundo sem estrelas do mar...e rodeado de calhaus em vez de rochas cheias de vida. Cada um defende aquilo em que acredita.
O meu fundamentalismo ainda me permitiu passar este verão a ensinar o meu filho a pescar e a apanhar marisco, que espero o possa fazer por muitos e bons anos, é por isso que eu luto.
Fernando obrigado pelo companheirismo, sabes que é reciproco.


José Nazaré

Anónimo disse...

Cara Alice Sampaio,
Caro Sargus,


No fundo, o que acontece é que face a uma redução significativa dos efectivos de uma população (provocada por exemplo pela pesca), esta é capaz de adoptar estratégias de reprodução para restabelecer o mais rapidamente possível os níveis populacionais normais. Tudo bem. Mas daqui não se pode extrair a conclusão de que “a ausência de pesca diminui a capacidade de reprodução dos peixes” como se a pesca fosse determinante para a eficiência dessa reprodução. A ser verdade, as espécies que não são pescadas estariam condenadas ao insucesso.

Em termos de ecologia populacional, a pesca não é mais do que uma agressão externa que as espécies procuram contrariar ou atenuar aumentado a eficiência da reprodução. Se essa agressão for intensa e persistente o resultado é bem conhecido: o colapso da pescaria. Exemplos não faltam: Na Terra Nova a pesca do bacalhau é proibida desde 1993 mas os seus stocks ainda não mostram sinais de recuperação. Em Sesimbra, o peixe-espada branco, outrora abundante, não é hoje mais do que uma saudosa recordação.

Anónimo disse...

Esqueci-me de assinar o post anterior.

Cumprimentos,
Mário Pinho

Sargus disse...

Caro Mário, apenas tentei dar uma ideia da questão.

Teremos de ver as coisas sobre outro prisma, por exemplo se capturarmos uma determinada espécie em excesso, o alimento que essa espécie consome aumenta drasticamente, bem como outros organismos, a isto terá de ser aliado inúmeros factores, cadeia trófica, temperatura do ambiente que o envolve, poluíção, pressão, etc, etc.

É um assunto de discusão para a comunidade cientifica, mas vou tentar entrar em contacto com alguem que tenha a amabilidade de exclarecer isso.

Abraço.

Anónimo disse...

http://www.ciemar.uevora.pt/divul/A10.pdf

Anónimo disse...

Li o artigo supostamente destinado a ser publicado no jornal de alguém ligado a um polo da UE (para conferir sabor científico ao arrazoado!?).

Aquele sujeito até está preocupado com os polvos e outras coisas que com as marés vivas vêm ter à areia!! É isto?

Aquelas toneladas por km2!? O PNSACV, vejam, até prevê uma faixa de 2 kms para proteger as espécies e certos modos de pesca que parecendo que não, aquilo é às toneladas comparado com a pesca comercial que usa redes... etc, etc.

Quem pagou a este tipo para fazer passar a mensagem?

Só falta dizer que os lúdicos e aquelas pessoas que usam este complemento de rendimentos tb foram elas que chamaram a terra as tartarugas e os golfinhos...armando-lhes uma emboscada. Cambada de criminosos da natureza...
Fernando Silva

Sargus disse...

Caro Fernando Silva, desde já o meu agradecimento pelo comentário.

Esse artigo já tem um tempinho grande... não foi escrito agora, a realidade da sua existência deveu-se à fundamentação de carácter mais ou menos cientifico comprovativo da legislação para o PNSACV (a tal lei que não permite que cidadãos de pleno direito mas não residentes a colherem marisco das pedras), nem aos caçadores submarinos de capturarem navalheiras ou perceves em apneia, mesmo que sejam residentes), que fundamentou a defesa dos sargos para os pescadores lúdicos e deixou a pesca profissional/artesanal captura-los ás centenas de kg quando estes encostam a terra em grandes cardumes carregados de ovas para a continuação da espécie (estranha dualidade de critérios), que apresenta coimas altas mas que não faz fiscalização adequada (existem apenas 2 vigilantes no PNSACV (Odemira), como tudo na vida, se "guarda" não há nada que se safe e cada vez será pior...

"Aquele sujeito até está preocupado com os polvos e outras coisas que com as marés vivas vêm ter à areia!! É isto?"

Curiosamente, gostaria de relembrar que as "areadas" assoreamentos das praias, baías, laredos, etc matam mais do que a pesca, perceves, mexilhões, estrelas do mar, ouriços, anémonas, flora marinha, lapas, caramujos, etc, são enterrados por grandes quantidades de areia, não recebem alimento nem oxigenação, morrem, tornando se alimento para poliquetas e pulgas do mar...

"Só falta dizer que os lúdicos e aquelas pessoas que usam este complemento de rendimentos tb foram elas que chamaram a terra as tartarugas e os golfinhos...armando-lhes uma emboscada. Cambada de criminosos da natureza..."

Em tempo de crise, o mar é e sempre foi um complemento para muita gente, principalmente desempregados e pessoas com poucos recursos, e vai continuar a se-lo, antes isso que roubar, mas não estarão a roubar recursos à pesca profissional/tradicional e mariscadores?...

Cumprimentos.

Anónimo disse...

cARO AMIGO sARGUS

Não, não estão a roubar ou a retirar recursos aos mariscadores profissionais, tradicionais ou outros!

Estamos a falar de cidadãos portugueses, todos iguais perante a lei e com iguais obrigações.

A pergunta que faço é esta: o Estado concessionou alguma área a esses pescadores? Pagaram alguma coisa mais que a licença de pesca, para terem obtido a exclusividade?

Claro que não. Mare nostrum.

Eu sei que o senhor não pensa isso. Formulei a pergunta por provocação para outros leitores que eu sei que pensam o contrário e se julgam donos pela lei da proximidade.

Cumprimentos.
Fernando Silva