Pescando na espuma





Muitas vezes quando chegamos ao mar, quer com o intuito de irmos para uma jornada de pesca ou um simples passeio á beira mar, presenciamos e contemplamos uma autentica massa de água resultante das movimentações das vagas no seu culminar de “vida”, isto é a sua chegada á costa, com a sua chegada ou mesmo antes de se dar o “confronto final” entre o mar e a terra, em determinados locais é produzida a espuma resultante da rebentação precoce, originada pela pouca profundidade do local onde a onda vem formada. Talvez devêssemos deixar de considerar que esse lugar de aparência tão revolta e inquietante por vezes não o é na realidade.

Por vezes é um erro, pois é neste mundo místico de sons, ar, água e revolta, onde os nossos ante passados mistificaram com grandes monstros e serpentes marinhas, mas é um mundo onde muitos predadores se encontram para caçar, onde por vezes nem imaginamos que os mesmos consigam suportar tais condições, mas é uma realidade que temos de admitir, esses mesmos predadores estão preparados para actuar e viverem em condições acima do normal para a maioria de outras espécies marinhas, e como tal, esse ponto negativo para uns, e juntamente com a boa mobilidade nestas condições adversas para os predadores, torna-se um factor mais do que vantajoso para caçar.



Onde rebenta a ondulação, onde as correntes são fortes e o embate das ondas dificulta a natação de outros peixes de menores dimensões, moluscos e marisco que a própria força do mar se encarrega de ir arrancando das pedras, os sargos alimentam-se perfeitamente nestas condições, o mesmo que o robalo e a dourada, sendo por vezes frequentado por anchovas e pargos.
Os peixes de menores dimensões como os burros/bodiões, cabozes, moluscos são piores nadadores com condições adversas, terão de procurar locais entre as algas e pequenas fendas na pedra onde se vão abrigar dos predadores e do turbilhão gerado pela ondulação, mas mesmo assim poderão eles mesmos estar pendentes da fonte de alimentação que a força do mar faz libertar, pequenos vermes e marisco só para citar alguns.
Por isso, se estamos pescando á bóia entre rochedos ou em falésias, temos varias opções: Consoante as zonas do país teremos duas características bem diferentes se comparamos a pesca da zona Vicentina com a do Litoral Alentejano.



Se colocarmos a baixada a pescar fundo poderemos apanhar maiores exemplares que por vezes se afastam das zonas de rebentação, evitando por isso a perca de energia desnecessária, e que raramente permanecem nas zonas mais agitadas, aproveitando as águagens para ficarem á espera do alimento proporcionado pela rebentação do mar.
Se colocarmos uma baixada relativamente ideal, e falo em ideal porque a realidade da Costa Vicentina é relativamente diferente com a do Litoral Alentejano, ai sim temos boas condições para capturar sargos, robalos e até douradas, teremos de pescar na zona de espuma proporcionada pela rebentação das ondas. Basta que imaginemos um pêndulo em que o seu trabalhar de ir e vir será mais ou menos idêntico ao trabalhar do mar sobre um ponto “spot” ou pesqueiro que habitualmente é frequentado por essas espécies, como tal dá a entender ao peixe que é uma isca que anda á deriva ou de algum outro alimento que está a tentar por se a salvo da corrente, coisa a que estão habituados a encontrar na sua dieta diária.



Como tal e falo pelo meu conhecimento e segundo a realidade no Litoral Alentejano, a baixada deverá rondar dos dois metros até seis, dependendo da zona umas vezes mais, mas o normal é isso, com seda na baixada fina 0.21 a 0.26 de boa qualidade.
A oxigenação da água é variavelmente proporcional á agitação do mar, por exemplo se temos junto á pedra uma oxigenação de 2 metros de largura entre a pedra e o mar, essa mesma oxigenação pode ser idêntica em fundura, mas não mais, isto é se o mar provoca pouca oxigenação o trabalhar da baixada e isco deve ser pouca, pois o peixe ataca na espuma já que a utilizam para se camuflar, esconder e alimentar.
Por vezes, mesmo que a ondulação e consequente oxigenação da agua se mova pela superfície do mar junto á pedra, pode não trabalhar o isco que está mais fundo, e como tal a isca que temos para enganar o peixe talvez não surta nesse mesmo efeito.



Uma velha táctica que aprendi na apanha do perceve, era justamente quando uma onda se aproximava da pedra e que não dava tempo para fuga, baixava-me atrás de uma pequena rocha para que a mesma me protege-se da rebentação e a mesma passa-se justamente por cima de mim, não me causando qualquer incomodo.
Ora justamente isto é utilizado pelos peixes, que por vezes permanecem imóveis debaixo da ondulação e oxigenação, tentando distinguir algum alimento que deambule pela oxigenação, e quando o identificam é que se introduzem novamente na espuma para buscar esse mesmo alimento e voltam a ganhar profundidade de segurança, situando-se de novo por baixo da rebentação numa zona mais tranquila.
Por isto o melhor ataque é aquele que parte de baixo para cima, é quando o peixe descobre que a cortina de oxigenação que está sobre ele lhe trás o alimento, para evitar perder muita energia na natação ataca rapidamente o alimento e tem a certeza que pode retomar o ponto de partida, o chamado “fernezim” da alimentação.

Nestas situações se pensarmos como um peixe o que faríamos?
Não pensaríamos duas vezes certamente e subiríamos como uma flecha para engolir aquele pedaço de alimento que é justamente ameaçado de desaparecer por alguma corrente ou força da ondulação.



Se pescarmos á bóia, se a ondulação e a oxigenação assim o permitirem, podemos dar mais baixada ao nosso estralho, pois o isca irá trabalhar mais alguns metros abaixo da superfície e, por consequente, mais alguns metros abaixo da oxigenação.
Um dos factores mais importantes é que a isca se mova naturalmente para que o peixe não sinta que algo errado se passa e procure justamente essa isca, a utilização dos monofilamentos actuais permite um Grau de invisibilidade dos nylons que há uns anos atrás não nos eram disponibilizados e a evolução tecnológica assim o permite, outro dos factores negativos que vejo muitos pescadores a fazer é mostrarem se ao peixe, isto é, ficarem perto da água, alguns com roupas claras, ou fazerem a sombra para o pesqueiro que estão a utilizar, isto é profundamente negativo para obter resultados, uma vez que o contorno da sua sombra permite ao peixe ver o pescador.



Para que os resultados se tornem visíveis nas nossas jornadas de pesca, devemos ter o cuidado de lançar uns metros mais á frente do que pensamos que está o peixe ou queremos pescar, poderemos utilizar o momento em que a onda se aproxima do local para colocarmos a montagem lá, para que a própria onda distraia o peixe que supostamente se encontra por perto, e aproveitar a mesma para colocarmos a montagem no local que achamos ideal.



Já pescamos muitas vezes a ver o peixe, e se nós o vemos ele tambem nos vê, aí os mais experientes tem uma palavra a dizer, uma vez que pequenas técnicas brindam-nos com grandes resultados.
Os robalos nadam lentamente no ceio das ondas, embora tenham ataques relativamente rápidos, a sua velocidade normal não é muito grande, quando estão em pleno acto de caça os robalos actuam em movimentos circulares nervosos alguns dos quais relativamente rápidos sendo possível observar os mesmos no meio de um cardume de peixes pequenos ou do mesmo tamanho que nada aterrorizado para todos os lados para confundir o ataque do robalo, como exemplo temos um cardume de sardinha que perante os predadores se junta em forma de bola evitando assim a facilidade de “marcar” um elemento do cardume por parte do predador.



Neste caso deveremos utilizar uma artificial, vulgarmente conhecida como amostra, e tentarmos “cercar” com lançamentos o local onde esta ocorrendo o confronto entre os predadores e as presas.



No caso dos sargos basta que em locais relativamente acima do nível do mar os observemos junto as rochas com o seu dorso a brilhar, é um sinal de que o mesmo se encontra em repasto, mexilhões, percebes, lapas, crustáceos e pequenos moluscos.



Neste caso temos de utilizar um isco que os motive a comer, sardinha, camarão ou ralos, são os mais utilizados, embora que o ideal seria mesmo a utilização da mesma espécie que os mesmos se encontram a comer.



É um enorme erro lançar para o local onde vimos o peixe, uma vez que o mesmo ficará assustado e desconfiado, e uma vez detectado o perigo certamente todo o cardume sairá da zona onde se encontrava para um local bem mais fundo em busca de protecção.

Boas Pescas.

4 comentários:

Luís disse...

Grande artigo amigo!!

Pena que tenhas deixado o paintball e te tenhas dedicado a 100% à pesca!

Mas se te sentes feliz, força!

Grande Abraço!

Dias... disse...

Tremendo OFF TOPIC
Mannnnnnnnnn
Então és tu quem me liga de um numero desconhecido ?!
Muito bom descobrir-te na Blogosfera, assim vamo-nos ver muito mais vezes, muito bom mesmo.
(agora tive um optimo momento, este de te descobrir, redescobrir)

Grande abraço, ainda e sempre MEU IRMÃO!

belladonna disse...

ouve-la bacano...
então mas para alem de paint-ball...pesca...
tiraste algum curso de ucraniano ou assim parecido???
looollololol

é que esta cena esta toda nessa escrita marada...eheheheheheh

gostei do blog sim senhora...ja sei onde vou buscar dicas para a minha pesca á cana...lol
pois ultimamente so me sai é tainhas...jokas...
em sagres tbm é fixe pescar é para onde costumo ir... -la se apareces para uma competiçãozita...hihihi
mas antes de vires tens que avisar ...para ler aki omanual de instruções de pescaria ;) senão não me safo...lol

grande beijo e o blogo esta simplesmente espectacular...
da tua comteranea...Linda

Sargollini disse...

Boas

Este artigo está muito bom!Por vezes pequenos promenores fazem uma grande diferença!

Aquele abraço
q;^)