Spinning


A técnica do Spinning consiste em enganar um predador ou leva-lo a crer que está perante si uma possível presa, ferida ou debilitada, consoante a forma como animamos o peixe ou isca artificial. 


Desta forma o trabalhar natural (subentenda-se performances do artificial) é de certa forma uma grande mais valia que é potencializada pela correcta forma de animação que cada pescador lhe dá, isto é, uma isca artificial é algo inanimado por si só, e cabe a nós darmos-lhe vida, vida essa que chamará a atenção do predador e o fará atacar de imediato. 

Basicamente são dois pormenores de grande importância a ter em conta no Spinning, haverá mais, a procura dos predadores, os locais onde são mais frequentes, a sua biologia, reprodução, hábitos, etc, mas estes são essenciais, a isca artificial e a sua animação, sem este binómio não haverá capturas. 



Alem de inúmeros factores terão de ter cada vez mais em conta a pressão e a evolução das espécies, uma vez que cada vez mais existirá desconfiança devido a frequência da procura dos exemplares. 

Um predador quando encosta à linha de costa é para se alimentar ou iniciar a fase reprodutiva, sendo estes dois acontecimentos responsáveis pela maior percentagem de capturas. 

O Spinning é uma técnica como as outras, estando dependente do êxito conforme a frequência com que é praticada por cada pescador, por exemplo, se praticarmos uma a duas jornadas de Spinning por semana, teremos teórica/praticamente menos êxito em termos evolutivos e de capturas em comparação com alguém que faça regularmente mais jornadas, isto em termos comparativos. 


Creio que a melhor forma de evoluir no Spinning é realizando jornadas, trocando experiências com outros praticantes de Spinning e procurando informação sobre as espécies, material e iscos artificiais. 

Podemos sempre dizer que não pescamos por obrigação, fazemo-lo por prazer, passatempo ou gosto, embora a este “prazer” se sobreponha a realização de capturas, sejam elas por “catch and release” ou não. 

Uma questão de resposta enigmática será efectivamente que o prazer pela pesca englobará certamente um maior espaço, se fosse possível medir, em comparação com a técnica (de uma forma geral no prazer pela pesca poderemos englobar varias técnicas) e essas técnicas são fundamentais, porque sem elas não existirão exemplares capturados. 


O alvo principal do Spinning é o predador, é aquele que procura a presa, pela cor, movimento, posicionamento, inteligência, etc., por vezes temos que nos colocar no lugar do predador e pensar como ele, porque para alem de sermos animais racionais, dispomos de instinto que nos leva a pensar de forma semelhante com a nossa presa, o predador. 

Os sentidos/estímulos dos predadores são uma forma de evolução que os permitiu através de longas centenas de anos a performance em vários panoramas, entre os quais ressaltam no caso do Dicentrarchus labrax, vulgarmente conhecido como Robalo: 

- Mimetismo, uma forma de adaptação ou disfarce que proporciona ao Robalo uma camuflagem negra na parte superior do corpo, quando está presente e frequenta uma zona com fundo de pedra, levando-o a ser confundido com o meio quando caça mais fundo, ou no caso inverso, quando caça mais à superfície apresenta sempre a tonalidade branca da zona do ventre, sendo que esta tonalidade branca pressupõe que o robalo passara imperceptível as presas quando observado de baixo para cima, já que a claridade reflectida na água o deixa quase imperceptível. A tonalidade mais clara da parte superior do corpo, é apresentada quando está presente e frequenta uma zona de oxigenação ou de areia, uma vez que, esta tonalidade permitir-lhe á uma dissimulação perfeita em ambientes mais turbulentos. 


Como já foi citado neste ponto, o robalo na parte inferior do corpo apresenta a tonalidade branca sempre. 

- Forca/Capacidade de natação/Rapidez, características que proporcionam uma efectiva explosão de arranque ou deslocação na massa de água, muito responsável, principalmente se estiver perante uma considerável turbulência, local onde o Robalo apresenta vantagem sobre outras espécies, e em termos comparativos poucas são as espécies que terão hipótese de fuga perante tal predador. O robalo tem o corpo relativamente alongado, que lhe permite movimentar-se como um torpedo na água, muito por causa da barbatana caudal bifurcada. 

- Órgãos sensoriais, a boca abre-se de uma forma que permite que sejam absorvidas presas de grande porte. A linha sensorial lateral funciona como um sonar/sensor/sonda, ou melhor será o “tacto”, é um órgão que na minha humilde opinião será responsável pela motricidade aquática do Robalo, quer na detecção de presas, como na formação de cardumes e cercos ou emboscadas a cardumes de pequenos peixes. No Spinning terá grande importância na detecção do “Ratling” (barulho/vibração causada pelas esferas de um artificial), para além de funcionar como um sonar em águas mais tapadas ou escuras na detecção das ondas hidrodinâmicas de outros peixes, isto é, presas. 

O olfacto é outro sentido a que temos de ter em conta apesar de não se verificar na pesca com artificiais. 


A visão é algo que tende a ter uma interligação com a linha de detecção lateral dos sentidos deste nobre predador, a detecção das cores através da visão, de uma forma geral as cores que se evidenciam são: 

- Com águas mais claras e transparentes = Azul sardinha/prateados e brancos 
- Com águas mais verdes = Castanhos, Verdes, Amarelos, Azuis mais escuros/sardinha 
- Com águas tapadas Verde/castanho = Amarelos, Laranja, Dourados, Azul sardinha, Brancos/pérola 
- Com águas oxigenadas = Branco/vermelho (red-head), Amarelo/verde (green-Head) 


Focando os iscos artificiais, creio que hoje em dia esta industria está em ascensão, a pesquisa cientifica e as copias de modelos de renome, tem sido uma constante e sem citar nomes de marcas, existe um factor indissociável espalhado por todo o planeta serão milhares de modelos distribuídos por centenas de marcas, onde alguns modelos funcionam ou são a eleição em determinados locais em detrimento de outros. 

Mas a pesca ou procura a este predador não se rege por uma lei universal ou geral, felizmente, porque se assim fosse não existiria já esta espécie ou subespécies. 

O leque de condições propícias a capturas é grade, mas a efectividade da realização de capturas depende da existência de exemplares na área de pesquisa, sendo que essa efectividade depende também: 

- Factores Bióticos, que são todos os organismos vivos presentes no ecossistema e suas relações, salientam-se as relações de competição intra-específicas, quando a competição entre indivíduos da mesma espécie tem como característica regular as populações e está muito relacionada com as mudanças evolutivas, ocorre com maior força em espécies superlotadas onde é mais forte a relação de competição. Nas Relações inter específicas, que ocorrem entre organismos de espécies diferentes, são harmoniosas (Cooperação, Comensalismo e Mutualismo) e divergentes (competição inter específica, Amensalismo, Pedação e Parasitismo).

- Factores abióticos, são componentes não vivos que influenciam a vida dos seres vivos presentes no ecossistema. Através dos factores abióticos os seres vivos fazem adaptações para seu desenvolvimento, esses factores variam de valor de local para local, o que determina uma grande variedade de ambientes, tais como: 
- A temperatura, tem uma grande importância para o Robalo e influencia seus períodos de actividade, as suas características morfológicas e seus comportamentos. 
- A água é de fundamental importância a todos os seres vivos e essencial a vida, o Robalo é um ser Hidrófilos (vive permanentemente na água). 
-Luz, é responsável pela produtividade nos ecossistemas, a luz, é um importante factor abiótico e actua sob diversas formas (intensidade, radiação, direcção e duração). 
- Pressão, pertence ao grupo dos Euribáricos (são seres capazes de suportar grande variações de pressão). 
Salinidade é o factor abiótico primordial na distribuição dos seres vivos aquáticos, o Robalo pertence aos Eurialinos (Seres que suportam grandes variações de salinidade). 


A parte operacional do Spinning tende a ver directamente com o material que vamos utilizar, cana, carreto, fio, no que diz respeito ao material, atende a uma especificidade em torno; 

- Canas ligeiras e potentes entre os 2,70 e os 3,30, tendo nos 3 m de comprimento o seu ponto intermédio. 

- Os carretos tendem a centrarem-se entre os modelos 30 e 40, de preferência com bom “drag” e fiáveis, para que na altura da ferragem/combate nos proporcionem uma segurança e boa recuperação de bons exemplares. 

- Linhas, de uma forma geral os multifilamentos são os mais utilizados no Spinning, por fornecerem uma resistência superior quando comparado com o monofilamento do mesmo diâmetro, muito importante na altura dos lançamentos mais longínquos ou em jornadas de existência de algum vento, o atrito na água torna-se também inferior com diâmetros mais baixos e os multifilamentos são fios estáticos que não tem elasticidade, como tal, perfeitos para as animações dos artificiais. 

- Iscas artificiais, que tanto podem ser “softbaits” pertencentes ao grupo dos vinis, ou os “hardbaits”, pertencentes ao grupo das artificiais de superfície, Passeantes, Poppers. Minnows (Flutuantes (flooting), meia água (suspending) ou profundidade (sinking). Deveremos ter um conjunto uniforme para varias ocasiões não vá o local escolhido ou o estado do mar se alterarem. 


Com este “check list” poderemos entrar no mundo do Spinning, aquele universo mágico que em minutos poderá fazer a diferença de horas ou dias em termos de capturas. 

O Spinning é um misto de provas e tentativas, mudanças constantes de artificiais, testando e ensaiando diferentes artificiais em diferentes camadas de água e distancias, em “zig zag” ou em leque sempre que possível. 


Não existirá uma lei de base que justifique as capturas, mas existirá certamente alguns conjuntos de factores ou variáveis que nos darão alguns pontos, que com experiência e tempo concluiremos que se cruzam mais depressa do que á partida possamos pensar, tais como: 

- Estado do mar (ondulação e período da vaga) 
- Condições climatéricas 
- Vento (quadrante e velocidade) 
- Temperatura do ambiente 
- Temperatura da água 
- Pressão atmosférica 
- Fase lunar 
- Artificial (Marca/Modelo/Cor)
- Condições do substrato onde se deu a captura 
- Peso 
- Comprimento 
- Fotografia 
- Hora e data 
- Amplitude da maré 
- Pressão atmosférica 
- Alimento no interior do estômago 
- Observações relevantes 

Estes pontos certamente darão informações bastante reveladoras de locais de captura e de hábitos da espécie.


Em suma o Spinning é um misto de frustração com alegria, frustração quando ferramos um exemplar e o perdemos ou não efectuamos durante algumas jornadas qualquer captura, e alegria, quando realizamos capturas que nos proporcionam momentos de adrenalina inexplicáveis. 

Alem de tudo convêm salientar um predador, neste caso o Robalo Dicentrarchus labrax, eleva-lo ao seu trono, mesmo para além da sua morte, causar-lhe uma morte rápida e sem a dor do sufoco por falta de oxigénio, respeitando o seu tamanho mínimo.

12 comentários:

Matos disse...

Boas Fernando,

palavras para quê...

5 estrelas ;)

Grd abr, Matos

Henrique Ruas disse...

Excelente post Fernando.
5 estrelas

Sargus disse...

Viva Matos, obrigado pelo comentário.

Bons lances por essas bandas caro amigo.

Abraço.

Sargus disse...

Viva Henrique, o meu agradecimento pelo comentário.

Tens andado de férias nas pescarias ou nem por isso?

Abraço.

Pedro Nunes disse...

Boas Fernando! Bem melhor que alguns documentarios k já vi por ai em revistas...
Venham eles.
Parabens.

Sergio Fernandes disse...

escelente ensaio sobre os robalos
Muito bom
abraço

Henrique Ruas disse...

Tenho ido poucas vezes e as que tenho ido têm sido para esquecêr.
Acho que tem andado muito fraco aqui para a minha zona. Na minha opinião está a fazer falta uns dias de mar bravo para levar areias e revoltar fundos.

Abraço

Nuno Caçorino disse...

Bro,

Magnifica "magazine" !

Deveras informativo!

Abração mizade.

NC

Sargus disse...

Boas Pedro!

Se cada um se dedicar um pouco a uma espécie, tendo experiências que se comprovem não em teoria, mas sim em pratica consegue-se coisas destas, o ler alguns artigos científicos também complementa, as aulas na universidade também ajudam...

Grato pelo comentário e boas Sparus Auratas

Um abraço

Sargus disse...

Viva Sérgio, grato pelo comentário
abraço

Sargus disse...

Henrique, sofres do mesmo mal que eu, vou poucas vezes, isto já não é o que era, agora com o kid.

Acho que a tua zona tem tido uns peixinhos, mas nada de vulto...

Acho que fazia mais falta encostarem umas areias, existe muita comédia junto à costa e os robalos já vão aparecendo mais, fruto da aproximação à terra, e em breve começam-se a observar em cardumes para a reprodução...

Abraço

Sargus disse...

Viva Nuno

Grato pelo comentário, algumas considerações a ter em conta na minha humilde opinião...

Abraço