
Os sargos são uma espécie bastante sociável entre eles, mesmo que tenham vários tamanhos, não importa vivem numa sociedade, pequenos, grande e médios, embora sejam uma espécie que não gosta de muitas confusões com outras espécies, e subentenda-se confusões com misturas com tainhas, bogas, cavalas, pampos, salemas, etc.
Digamos que, gosta do seu espaço, e preserva o seu espaço, em praticamente todas as situações.
Quanto à pesca cabe a nos desenvolvermos técnicas que sejam selectivas e adequadas a capturarmos apenas o que nos interessa, isto é, se eu quero sargos, não pesco para safias, tainhas ou pampos, são capturas e técnicas bem diferentes, não as vamos colocar no mesmo saco, senão vejamos:
Engodo um pesqueiro, varias espécies aparecem, em primeiro lugar as tainhas, que me dão um bom sinal de onde esta a correr o engodo e que o mesmo esta a trabalhar efectivamente bem, uma vez que as tainhas são uma espécie que tem por hábitos frequentar as correntes paralelas à linha de costa. Se elas chegam ao pesqueiro é sinal que outras espécies já lá estão ou chegarão em breve.
Ao continuar na engodagem continuamente com conta peso e medida, provavelmente e mediante as condições do mar, irão aparecer as espécies que pretendo (sargos, robalos ou douradas), mas entenda-se, que por norma não faço uma jornada de pesca ao sargo a pensar nas douradas ou robalos, dedico-me exclusivamente à pesca do sargo, se por ventura aparecer um robalo ou dourada no pesqueiro, estará lá uma isca à sua espera, uma vez que por norma, coloco uma variação de isca e quantidade da mesma, não vão os robalos ou douradas a parecerem…
Embora que pela experiência que tenho dos anos anteriores, quando estou num pesqueiro a fazer capturas continuas de Sargos e de um momento para o outro eles deixam literalmente de se manifestar, muito provavelmente entrou um exemplar de outra espécie e bem maior no pesqueiro.
Ora quando dispomos de um pesqueiro engodado suficientemente bem, e conciliamos o factor de estabilidade e adequação para o referido "spot" com as condições de mar, entram em jogo alguns factores que deveremos ter em conta para o sucesso.

Creio que o mais importante será chamar o peixe onde queremos e onde a espécie se sente à vontade, e quando digo à vontade, refiro-me à habilidade que o Sargo tem e dispõe de frequentar os arrifes, gretas, fendas, correntes, reversas e oxigenação, situação que apenas as duas espécies que referi anteriormente se sentem em condições de enfrentar, este é um dos factores predominantes para o sucesso, quando confrontados com outras espécies, juntamos o social do sargo e “encaminhamos a sua sociedade a um anexo”, como que de uma festa particular se tratasse.
Os sargos gostam de ser tratados assim, poucas confusões, pouco ruído, manifestações exteriores de movimento, reflexos na água, etc.
Por outro lado sem engodo, sem a maneira ideal, segura e correcta escolher e de elaborar um “cocktail” apetitoso a esta espécie ela não dará o ar da sua fraca com as suas características de verdadeiro lutador e mariscador, para mim, o senhor da nossa costa, sua Excelência o Sargo.
Não convêm esquecer que estamos perante um mestre no disfarce e na evolução, pois trata-se de uma espécie bastante sustentável em termos de multiplicação de subespécies e regulação natural através do hermafroditismo protândrico (os machos tem a capacidade de se tornarem fêmeas de forma a regularem a população na época da reprodução (dependendo de vários outros factores, não estamos perante um mecanismo automático genético).